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ESA alerta: 166 milhões de detritos espaciais ameaçam satélites essenciais

Decorreu esta semana, no centro de controlo de missões da Agência Espacial Europeia, uma conferência com mais de 350 especialistas para debater o agravamento do lixo à solta na órbita da Terra.

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ESA alerta: 166 milhões de detritos espaciais ameaçam satélites essenciais

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A Agência Espacial Europeia apela a um futuro sustentável na exploração do universo para lá da chamada “última fronteira”. A ESA sublinha a urgência de uma ação internacional coordenada.

O aumento do lixo na órbita da Terra começa a revelar-se um perigo à circulação de naves espaciais e sobretudo à dos diversos satélites responsáveis por serviços tão essenciais como a observação meteorológica, o controlo do tráfego da aviação comercial ou as telecomunicações globais.

Mais de 166 milhões de fragmentos com mais de um milímetro de tamanho andam em órbita da Terra. Qualquer um deles pode causar graves danos ou até destruir um satélite em caso de colisão.

O chefe do departamento de detritos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) explica que “a velocidade média no momento de impacto de um fragmento num satélite é de 40 mil quilómetros/ hora”.

“A estas velocidades, até os mais pequenos objetos de tamanho milimétrico podem causar enormes danos. Estamos a lidar com uma ameaça às nossas infraestruturas espaciais”, avisa Holger Grag.

O chefe do departamento de detritos espaciais da ESA participou, esta semana, em Darmstadt, na Alemanha, numa conferência internacional para debater o crescente perigo do lixo espacial com mais de 350 representantes da ciência, do setor académico, da indústria e de agências espaciais de todo o mundo.

Na conclusão da reunião, realizada no centro de controlos de missão da ESA, surgiu o apelo por uma ação internacional coordenada.

Desde 1957, mais de 5250 lançamentos de máquinas, tripuladas ou não, para o espaço contribuíram para ao atual registo de mais de 23 mil objetos em órbita da Terra. Apenas 1200 são satélites ativos. O resto são detritos sem qualquer utilidade, explica a ESA.

Muitos dos aparelhos espaciais enviados para o espaço explodiram ou partiram-se, degenerando nuns estimados 750 mil fragmentos com um tamanho superior a um centímetro e ainda em mais 166 milhões acima de um milímetro.

Os especialistas avisam: se nada for feito, o problema irá agravar-se com o crescente investimento de empresas privadas destinado ao lançamento de pequenos satélites e até à exploração comercial de viagens para lá da “última fronteira”.

Por isso, a primeira viagem de recolha de lixo espacial estará já a ser planeada pela ESA, ao abrigo do “Espaço Limpo”, um programa da ESA liderado por Luisa Innocenti. “É a uma operação muito complexa porque ninguém quer falhar, correr o risco de colidir com os detritos e provocar outra nuvem de fragmentos”, explicou a responsável italiana.