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A fome ameaça matar milhões de pessoas na Somalilândia e no Corno de África

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De  Euronews
A fome ameaça matar milhões de pessoas na Somalilândia e no Corno de África

<p>Mais de 80% do gado desapareceu em diversas áreas da Somalilândia morto pela seca. Nenhum dos rios que atravessámos na viagem do Ocidente até à capital, Hargeisa, tinha vestígios de água. Este auto-declarado estado, reconhecido pela comunidade internacional como uma região autónoma no norte da Somália, está a pagar o preço de quatro estações sucessivas sem chuva. </p> <p><a href="http://www.wvi.org/sites/default/files/World%20Vision%20Somalia_Policy_Brief%2010%20Feb%202017.pdf">Em janeiro numerosas <span class="caps">ONG</span>’s da Somália lançaram o alerta</a> sobre a possiblidade de a fome voltar este ano ao território.</p> <p>Próximo da aldeia de Baldheere, no oeste da Somalilândia, a apenas alguns quilómetros da fronteira com a Etiópia, encontrámos um grupo de populações deslocadas. Chegaram aqui nos últimos meses, após uma caminhada de cerca de 400 quilómetros, à procura de comida e água. Perderam quase tudo.</p> <p>“Vim para aqui por causa da seca severa, mas as condições aqui são as mesmas. Trouxe 70 cabeças de gado, só já me restam seis”, conta Layla Abdi.</p> <p>Em toda a Somália, cerca de 600 mil pessoas estão deslocadas desde o mês de novembro, devido à seca. A capital, Hargeisa, não é das áreas que recebeu mais deslocados, no entanto, aqui, os meios são escassos e a assistência é rudimentar. </p> <p>A repórter da euronews, Monica Pinna constatou no terreno: “As populações rurais representam dois terços das pessoas com falta de comida e a precisarem de assistência. É por isso que cada vez mais estão a deslocar-se para as cidades. Só a Hargeisa chegaram, entre novembro e abril, 9.500 pessoas que foram encaminhadas para o campo de Digaale”.</p> <p>Este campo abriu em 2013 para acolher os primeiros refugiados da seca. Atualmente acolhe 1200 famílias. Nos últimos dois anos recebeu 300 famílias e, no último mês, mais 100.</p> <p>O líder da comunidade de Digaale, Hassan Omar, queixa-se da falta de meios para ajudar os deslocados: “Damos-lhes alguma comida, assistência médica e vemos o que podemos fazer, mas não temos, neste momento, nenhuma <span class="caps">ONG</span> a apoiar-nos”.</p> <p>Ugaso Yasin vem da Etiópia e está entre os deslocados somalis que chegaram ao campo. Veio com mais seis mães e 12 crianças. São seis famílias que vivem juntas.</p> <p>“A situação aqui é melhor que no sítio de onde viémos. A maior dificuldade que temos é a água e os depósitos não têm água. Enquanto pudermos viver aqui não penso que devamos voltar, porque não há nada para onde voltarmos”, afirma.</p> <p>As crianças são, obviamente, as mais vulneráveis. De acordo com as Nações Unidas esperam-se que cerca de um milhão de crianças sofra de desnutrição este ano na Somália. Em fevereiro o número de crianças desnutridas ascendia já a 71 mil. Em Hargeisa, o hospital da <span class="caps">UNICEF</span> para as crianças desnutridas com graves problemas de saúde recebe três vezes mais pacientes desde que a seca começou.</p> <p>Khadar Ahmed Omar, o responsável do centro de Estabilização da <span class="caps">UNICEF</span>, explica que a enfermaria só tem 16 camas e está superlotada: “Neste momento recebemos cerca de 30 pacientes por dia. A maioria chega com diarreia e sarampo; outros com doenças respiratórias”.</p> <p>Hamda tem um ano e oito meses. Pesa seis quilos, o equivalente de um bebé de sete meses. Chegou aqui em coma há duas semanas. A família é de uma região rural e perdeu todo o gado que tinha. A pequena Hamda ficou doente ao beber água contaminada. </p> <p>Para além da fome, a falta de água está a criar desde janeiro um surto de cólera incontrolável na Somália. A doença espalhou-se já por 12 das 18 regiões do país.</p> <p><a href="http://reliefweb.int/disaster/dr-2015-000134-som">Metade da população da Somália – 6,2 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar para sobreviveram</a>. Na região do Corno de África são cerca de 12 milhões os que precisam de assistência alimentar urgente. Mas, <a href="https://www.theguardian.com/world/2017/mar/11/world-faces-worst-humanitarian-crisis-since-1945-says-un-official">segundo as Nações Unidas, mais de 20 milhões de pessoas estão a sofrer de fome no mundo</a>, incluindo na Nigéria, Iémen e Sudão do Sul.</p> <p>A <span class="caps">ONU</span> constata o triste balanço de que o “mundo enfrenta a maior crise humanitária” desde 1945.</p>