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Merkel visita Putin entre sorrisos tímidos e finca-pés de parte a parte


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Merkel visita Putin entre sorrisos tímidos e finca-pés de parte a parte

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Quase dois anos depois, Angela Merkel voltou à Rússia para um encontro com Vladimir Putin. Aconteceu, desta feita, na estância balnear de Sochi, junto ao Mar Negro, entre sorrisos tímidos e finca-pés de parte a parte sobre temas sensíveis.

A Chanceler alemã e o líder do Kremlin reuniram-se para antecipar a cimeira do G20, marcada para 7 e 8 de julho, em Hamburgo, na Alemanha, mas também para debater as relações bilaterais e diversos temas que têm dividido Moscovo do ocidente como o respeito pelos direitos humanos e os conflitos sírio e ucraniano.

Conflito na Ucrânia

O conflito separatista ucraniano com intervenção russa e a anexação unilateral da península da Crimeia foram a causa do esfriar das relações entre Moscovo e Berlim após 2014 e à aplicação de sanções económicas pela União Europeia e os Estados Unidos à Rússia.

Em contraste com alguma desilusão manifestada por Merkel pela demora na implementação do Acordo de Minsk, Putin defendeu o chamado grupo da Normandia, onde também se inclui a França e que foi responsável por conseguir a ratificação do referido acordo entre as partes em conflito.

“Funciona e sem ele a situação seria muito pior”, garantiu, em conferência de imprensa, Vladimir Putin, referindo-se ao grupo da Normandia. O Presidente russo sublinha ser apenas preciso “ter à mesma mesa das negociações os representantes das autoridades de Kyiv e os das repúblicas ucranianas não reconhecidas”. “É impossível conseguir a resolução do conflito sem o diálogo direto das partes em confronto”, acrescentou.

A chanceler alemã, por seu turno, manifestou o desejo de ver levantadas as sanções europeias à Rússia, mas… “Gostaria que tivéssemos a possibilidade de levantar as sanções quando forem cumpridos os acordos”, disse Angela Merkel, lamentando a falta de progressos na resolução do conflito no leste ucraniano, onde “se acentuam as tendências separatistas”, reforçou.

Direitos humanos e civis

A chefe de Governo da Alemanha evocou os recentes relatos de perseguição e tortura de homossexuais na Chechénia e a consequente detenção de manifestantes em São Petersburgo que denunciavam o sucedido naquela república russa.

“Eu percebi o importante que é o direito à manifestação na sociedade civil e o papel das Organizações Não-governamentais (ONG). Recordei nesta reunião os relatórios negativos sobre o tratamento dos homossexuais na Chechénia e pedi ao Presidente Putin para usar a sua influência neste problema”, revelou Merkel, defendendo também o direito de manifestação às forças políticas anti-Kremlin.

Vladimir Putin respondeu, descrevendo as forças de segurança russas como “mais reservadas e liberais” que muitas outras na Europa, que, acrescentou, recorrem “a gás lacrimogéneo e bastões” para dispersar manifestantes. “Felizmente, ainda não precisámos disso”, disse.

G20, em Hamburgo

A cimeira dos G20 vai sentar à mesma mesa, em Hamburgo, a 7 e 8 de julho, os ministros das Finanças das 19 maiores economias do Mundo mais a União Europeia.

Angela Merkel definiu a Rússia como “um importante parceiro da Alemanha no G20”. Vladimir Putin enalteceu o grande peso germânico na economia russa. “Apesar das conhecidas dificuldades e flutuações políticas no ambiente económico global, a Alemanha mantém-se como o maior parceiro económico do nosso país”, disse o Presidente russo.

De acordo com Putin, a Alemanha é de longe o maior comprador de gás natural russo e o maior investidor estrangeiro na economia do país, com cerca de 16 mil milhões de dólares investidos, além das cerca de 5000 empresas de capital germânico existentes na Rússia.

“No G20, vai debater-se o que pode e deve ser feito para eliminar as restrições ao desenvolvimento da economia mundial”, afirmou o líder do Kremlin.

Merkel havia estado na Rússia em maio de 2015

Antes desta terça-feira, em Sochi, a última visita de Angela Merkel à Rússia havia acontecido a 10 de maio de 2015. Já nesse domingo o encontro com Vladimir Putin havia sido algo frio.

À imagem de outros líderes mundiais também convidados, como Barack Obama, David Cameron ou François hollande, a chanceler alemã tinha recusado a presença na celebração de véspera do Dia da Vitória.

Merkel deslocou-se a Moscovo no dia seguinte para prestar homenagem aos heróis que ajudaram a Europa a livrar-se do nazismo em 1945. Recorde aqui, essa visita da chanceler a Moscovo a 10 de maio de 2015.

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