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Macron desmonta propostas de Le Pen no último debate das presidenciais


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Macron desmonta propostas de Le Pen no último debate das presidenciais

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Depois de mais de uma semana e meia de campanha, o debate televisivo desta quarta-feira entre os dois finalistas das presidencias francesas foi o palco de um verdadeiro choque frontal.

Ao longo de pouco mais de duas horas de frente-a-frente agressivo, o liberal Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, defenderam visões antagónicas sobre temas como a economia, o terrorismo, a educação e a Europa.

Le Pen jogou ao ataque, acusando o adversário de ser o “herdeiro” do presidente cessante Hollande e o representante da “globalização selvagem”, o “homem das elites” e o “candidato que tudo compra e tudo quer vender”.

Macron, mais calmo, aproveitou para desmontar as propostas de Le Pen, da ambiguidade quanto à saída do euro, ao seu plano de luta contra o terrorismo, considerado “ridículo e irreal” pelo candidato liberal.

Fiel aos pontos mais radicais do seu programa, Le Pen voltou a defender a proposta de expulsar todos os estrangeiros investigados por ligações ao terrorismo, garantindo que vai retirar a nacionalidade francesa a todos os suspeitos.

Mais calmo, o adversário liberal não poupou a ironia:

“Isso vai assustar os que se querem fazer explodir, a retirada da nacionalidade é um debate do passado, defendido pelo presidente. É algo que não resolve o problema. Não, eu não vou ficar à espera que aconteça um atentado, simplesmente alguém que tenha esse projeto não vai voltar atrás só porque corre o risco de perder a nacionalidade”, retorquiu Macron.

Outro ponto alto do debate, o momento em que Le Pen foi confrontada por Macron sobre o seu projeto de manter duas moedas paralelas, depois de ter revisto o seu plano de saída do euro.

“O euro é a moeda dos banqueiros, mas não é a moeda do povo. É a razão pela qual é necessário sair dessa moeda”, defendeu Le Pen.

Macron fustiga a “sacerdotisa do medo”

“Eu sou contra tudo o que disse a senhora Le Pen. O grande medo que a manipula desde o início, é a senhora, que joga com o medo dos nossos concidadãos, sobre o terrorismo, etc. É a senhora o grande medo, a grande sacerdotisa do medo, aqui à minha frente”.

“Le Pen ou Merkel a próxima presidente”

A candidata do partido Frente Nacional recorreu a várias frases feitas durante o debate, para caricaturar o adversário em “homem dos interesses financeiros”. “No domingo, a França será governada por uma mulher, ou sou eu ou é a senhora Merkel”, afirmou Marine Le Pen, acusando o rival de submeter-se às decisões de Berlim.

Gesticulação e ataques verbais

O debate, eletrizante, mais na forma que no conteúdo, decorreu a quatro dias da segunda volta das presidenciais, ameaçadas por uma abstenção que poderia favorecer a candidata de extrema-direita.

Segundo uma sondagem publicada após o debate, Macron foi considerado mais convincente por 63% dos inquiridos, face a 34% de seduzidos pela prestação de Le Pen.

Um frente-a-frente a seis semanas das legislativas de Junho, quando uma sondagem publicada esta quarta-feira aponta já para a possibilidade do novo partido de Macron poder estrear-se no parlamento com um resultado próximo da maioria absoluta.

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