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OMS: Suicidam-se por ano 800 mil pessoas

Os números do suicídio no mundo são alarmantes (800.000) e segundo as estimativas da OMS a tendência é em alta. De acordo com as estatísticas atuais, a cada 40 segundos há uma pessoa que comete suicíd

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OMS: Suicidam-se por ano 800 mil pessoas

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) compila anualmente os dados relativos às causas da morte no mundo. Números fornecidos pelos países que permitem ter uma visão da realidade para a adaptação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Entre esses objetivos consta a “saúde para todos”. As causas de morte no mundo constituem um excelente guia de ação para atingir esse objetivo.

A OMS publica anualmente um relatório que identifica pelo menos metade dessas causas. No último, agora publicado, identificam-se as causas principais, que vão desde as doenças, à poluição, passando pelos homicídios, a mortalidade provocada por conflitos e os suicídios.

Os índices de suicídio na Europa

No que respeita aos suicídios, os dados são de 2015, com
mais de 800 mil mortes no mundo inteiro, com taxas que ascendem a 14,1 por 100 mil habitantes na Europa e 3,8 por 100 mil na região mediterrânica.

Na Europa, segundo o relatório da OMS os 15 países com maiores taxas de suicídio são, por ordem: a Lituânia, o Cazaquistão, a Bielorrússia, a Polónia, a Letónia, a Húngria, a Eslovénia, a Bélgica, a Ucrânia, a Rússia, a Estónia, a Croácia, a Sérvia, a França e a Áustria.

Na Lituânia, Letónia e Hungria, as causas do suicídio são comuns. Estão na maior parte dos casos relacionadas com
a pobreza, o desemprego e o consumo de alcool, afetando sobretudo a população masculina.

Em contrapartida, o país da Europa onde a taxa de suicídio é mais baixa é o Azerbaijão, com apenas 3,3 suicídios por 100 mil habitantes.

No relatório da OMS, Portugal surge na vigésima terceira posição dos países do continente europeu, com 13,6 suicídios por 100 mil habitantes.

Suicídios na União Europeia segundo o Eurostat

Nos dados publicados pelo Eurostat, relativos a 2014, Portugal registou 11 mortes por suicídio por cada 100 mil habitantes, o mesmo valor da média dos países da União Europeia e exatamente o mesmo registado na Holanda, Irlanda, Roménia e Eslováquia. No território nacional 1.223 pessoas puseram fim à vida durante o ano de 2014 – 925 homens e 298 mulheres. Uma taxa de suicídio de 75,6% entre os homens e 24,4% entre as mulheres.

Segundo a publicação do gabinete oficial de estatísticas da UE, a taxa de suicídios masculinos na União foi de 77% e cerca de metade (48%) cometidos por homens com idades entre os 40 e os 65 anos.

Quanto aos países da União com maiores índices de suicídio, a Lituânia destaca-se, com 32 suicídios por cada 100 mil habitantes, seguida da Letónia, Eslovénia e Hungria, com 19 mortes por suicídio em cada 100 mil habitantes.

Em termos estatísticos, os valores comparativos são ajustados em função da densidade e estrutura da população de cada país. Mas, em termos absolutos, os números revelam uma outra realidade. A Alemanha, com 10.300 suicídios em 2014 foi o país onde mais pessoas puseram fim à vida, seguido da França, com 9100 a suicidarem-se no mesmo ano. Nesta lista, a Polónia surge na terceira posição com 6000 mortes por suicídio, o Reino Unido na quarta, com 4,500; a Itália na quinta, com 4100 e a Espanha na sexta, com 3900.

Um suicídio a cada 40 segundos

Segundo as estimativas da OMS, suicida-se uma pessoa a cada 40 segundos e prevê-se que, a um prazo de 6 anos, os números do suicídio no mundo ultrapassem um milhão por ano. Uma tendência alarmante, justificada por diferentes fatores. Para além das doenças mentais e da utilização abusiva de substâncias, as dificuldades económicas estão cada vez mais ligadas às causas suicidárias. Com as economias devastadas pela crise dos últimos anos, as taxas de suicídios estão em forte crescimento junto de populações em extrema pobreza, onde adultos humilhados pelas dificuldades em se sustentarem ou sustentarem as famílias, optam por acabar com a vida.

Os números da Saúde em 2016

O suicídio é apenas uma entre as principais causas de morte. As estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) relativas ao ano de 2016 revelam dados que permitem compreender os desafios em termos de saúde da Agenda 2030.

Assim, em 2016 foi constatado que: – 303.000 mulheres morreram devido a complicações relacionadas com a gravidez ou o parto; – 5,9 milhões de crianças faleceram antes de atingirem a idade de cinco anos; – 2,9 milhões de pessoas foram infetadas com o vírus HIV; – a tuberculose foi declarada em 9,6 milhões de pessoas; – surgiram 214 milhões de novos casos de malária – 1,7 milhões depende de tratamentos para doenças tropicais negligenciadas; – mais de 10 milhões de pessoas morrem antes dos 70 anos de doenças cardiovasculares e câncros; – 800 mil pessoas cometeram suicídio; – 1,25 milhões morreram de acidentes rodoviários; – 4,3 milhões morreram devido à poluição provocada por combustíveis utilizados em casa; – 3 milhões por poluição exterior; – 475 mil pessoas foram assassinadas (80% homens).

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030

Como referência, recordamos que os objetivos do desenvolvimento sustentado previstos na Agenda 2030 são: – Erradicar a pobreza; – Erradicar a fome; – Saúde de qualidade; – Educação de qualidade; – Igualdade de género; – Água potável e saneamento; – Energias renováveis acessíveis; – Trabalho digno e crescimento económico; – Indústria inovação e infraestruturas; – Redução das desigualdades; – Cidades e comunidades sustentáveis; – Produção e consumo sustentáveis; – Ação climática; – Proteção da vida marinha; – Proteção da vida terrestre; – Paz, justiça e instituições eficazes; – Percerias para a implementação dos objetivos.