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Trump impõe-se na NATO


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Trump impõe-se na NATO

A presença de Donald Trump na cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, ing.), esta quinta-feira (25 de maio), em Bruxelas, espalhou-se pelas redes sociais em pequenos apontamentos antes do seu discurso, ao final do dia.

Primeiro, foi o aperto de mão a Emmanuel Macron, o recém-eleito presidente da República Francesa. O que pareceu ser uma disputa de vigor manual deixou ambas as figuras políticas com as mãos temporariamente marcadas. Aparentemente, Macron esteve à altura da possante abordagem de Trump, mesmo que isso tenha implicado um cerrar de maxilares.


Os apertos de mão são uma das imagens de marca de Trump para a imprensa e, ao que parece, o 45° Presidente norte-americano não quis abrir mão de um segundo round :


Mesmo se estes são apenas fait-divers aproveitados pelas redes sociais à margem da política real, Trump protagonizou um outro momento que se tornou viral.
Na ânsia de estar bem posicionado para uma fotografia oficial, o primeiro-ministro montenegrino, cujo país integrará a NATO no próximo mês, levou um encontrão que parecia antecipar o abanão verbal que Trump tinha reservado para os aliados no seu discurso.


Sem nenhum adorno diplomático, o discurso não filtrado de Trump surpreendeu os líderes europeus após a inauguração do novo edifício da NATO em Bruxelas onde lhe foi pedido que descerrasse o memorial alusivo ao 11 de setembro de 2011, única ocasião em que a aliança ativou a sua cláusula de defesa coletiva.

Mantendo-se longe da diplomacia europeia feita protocolo, Trump brincou com o custo do edifício, que oficialmente não ultrapassou o orçamento inicial superior a mil milhões de euros nem se atrasou na conclusão, ao contrário do publicado em alguma imprensa com fontes próximas da NATO, dizendo que nem queria saber qual era o valor, mas que era “lindo”. O edifício tem área equivalente a dez campos de futebol e a construção foi decidida numa cimeira da NATO em 1999.

A surpresa maior veio, contudo, com o discurso de Trump que, num tom “abrupto”, como o qualificou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, deu uma reprimenda aos países aliados que considera terem as contas em atraso: “Vinte e três das 28 nações-membro ainda não estão a pagar o que deviam e o que era pressuposto pagarem para a sua defesa. Isto não é justo para o povo e para os contribuintes dos Estados Unidos.”


Donald Trump disse também que ataques terroristas como o de Manchester, na passada segunda-feira, teriam réplicas a menos que os aliados fizessem mais, ou antes, pagassem mais, para parar militantes extremistas. Segundo alguns diplomatas, este não seria o local e a altura para a cobrança e para o reforço de medos futuros.


Pela voz de Jens Stoltenberg, a NATO concordou em desenvolver planos anuais que definam como os aliados visam atingir os objetivos de defesa: “Primeiro, como pretendem as nações cumprir os compromissos para gastar dois por cento do PIB em defesa ou quais os 20 por cento que devem ser investidos em equipamento estrutural. Segundo, como investir fundos adicionais em capacidades regionais chave, de que precisamos. Terceiro, como pretendem os aliados contribuir para missões, operações e outros compromissos da NATO.”

Trump surpreendeu ainda ao apelar à NATO, uma aliança de defesa fundada contra a ameaça soviética, que incluisse a limitação de imigração na agenda. Por expressar ficou o que era mais esperado: o compromisso inequívoco dos Estados Unidos para com o fundador artigo V da NATO, que defende que o ataque a um aliado é um ataque a todos.