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Alterações climáticas: António Guterres pressiona Donald Trump

O secretário-geral das Nações Unidas lança aviso global depois do Presidente dos Estados Unidos se ter recusado a comprometer-se com o tratado ambiental ratificado pelo antecessor, Barack Obama.

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Alterações climáticas: António Guterres pressiona Donald Trump

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O Secretário-geral das Nações Unidas deixou um aviso global em nome do planeta e com Donald Trump como principal destinatário.

Perante um eventual recuo dos Estados Unidos no cumprimento do Acordo de Paris contra as alterações climáticas, António Guterres lembrou que “os efeitos das alterações climáticas são perigosos e estão a agravar-se” e alertou: “Se algum governo duvida da vontade e da necessidade globais deste acordo, essa será uma razão para todos os outros se unirem ainda com mais força e manterem o rumo.”

O secretário-geral da ONU falava diante de uma plateia de estudantes, académicos e empresários, num encontro realizado na Escola de Negócios da Universidade Stern, em Nova Iorque.


Guterres alegou que “o mundo está numa confusão” e disse ser “absolutamente essencial a implementação do Acordo de Paris”.

“Temos de o cumprir com ambição acrescida”, reforçou, sublinhando que os avanços científicos sobre a ameaça ambiental “estão acima de qualquer dúvida.”


“A mensagem é simples: o comboio da sustentabilidade já deixou a estação. Entrem a bordo ou deixem-se ficar para trás”, atirou Guterres, defendendo mais à frente, respondendo a uma pergunta, “ser importante que os Estados Unidos não abandonem o Acordo de Paris.”

O aviso de Guterres surge depois de o Presidente norte-americano se ter recusado, na semana passada, durante a cimeira do G7 em Itália, a comprometer-se com o Acordo de Paris, um tratado alcançado na COP21, a conferência ambiental da ONU realizada em Paris no final de 2015. Donald Trump prometeu uma decisão final para esta semana.


O acordo foi estabelecido entre 195 países e foi já ratificado por 147, incluindo a China e os Estados Unidos, os maiores poluidores do planeta. O Acordo de Paris foi uma das últimas grandes decisões tomadas por Barack Obama como chefe da Casa Branca, mas foi sempre uma pedra no sapato de Donald Trump, que chegou a dizer serem as alterações climáticas uma invenção dos chineses.


Logo após tomar posse como sucessor de Obama, Trump começou a desfazer algumas das barreiras levantadas pelo antecessor ao setor norte-americano dos combustíveis fósseis com a justificação da criação de empregos. Até a China já apelou aos Estados Unidos para cumprir o acordado em Paris, dando o exemplo com um forte investimento nas energias renováveis.