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Fórum UE-África debate emprego e desenvolvimento sustentável


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Fórum UE-África debate emprego e desenvolvimento sustentável

A criação de emprego num quadro de sustentabilidade: foi o tema central no Fórum de Negócios União Europeia-África que teve lugar em Bruxelas. Uma das estratégias mais abordadas foi a da Comissão Europeia, que pretende promover novos modelos de participação do setor privado e atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável integrados na chamada Agenda 2030.

“O Plano de Investimento Externo da União Europeia prevê três pilares. O primeiro tem a ver com a mobilização de investimentos para reduzir os riscos e permitir a criação de emprego. O segundo assenta na assistência técnica, no sentido de preparar o contexto empresarial, tornando-o mais atrativo para os investidores. E o último pilar consiste no reforço do diálogo político, de forma a promover os direitos humanos, as boas práticas governativas, a luta contra a corrupção…”, explicou-nos Roberto Ridolfi, responsável da Direção-Geral de Desenvolvimento e Cooperação da Comissão Europeia.

Para além do apoio ao desenvolvimento já implementado, Bruxelas prevê a alocação de mais de 3 mil milhões de euros até 2020 e a mobilização de cerca de 40 mil milhões em investimentos adicionais. Um dos principais parceiros é a União Africana. Amina Abou-Zeid, comissária deste organismo, realçou que “para se conseguir colmatar as lacunas financeira e técnica que existem nas infraestruturas em África, é crucial termos o envolvimento do setor privado e parcerias público-privadas”.

E esse envolvimento passa por garantias financeiras destinadas a minimizar os riscos. A maior estrutura patronal francesa considera que esta é a oportunidade para estabelecer uma estratégia de longo prazo em África. Para Pierre Gattaz, presidente do Mouvement des Entreprises de France, “o trabalho junto dos empresários, junto das PME, é essencial no âmbito do programa que temos de desenvolver entre a Europa e África. Ao gerarmos lucros, estamos a gerar investimento nas pessoas, na formação, no desenvolvimento de empresas sustentáveis”.

O fórum teve lugar durante as Jornadas Europeias de Desenvolvimento, permitindo recolher ideias para a próxima Cimeira União Europeia-África em novembro. O país anfitrião será a Costa do Marfim, cujo vice-presidente, Daniel Kablan Duncan, veio salientar a necessidade do impulso ao empreendedorismo local e internacional.

“Nós pretendemos sobretudo captar o setor privado, uma vez que as ajudas públicas estão a esgotar-se. É preciso criar um contexto empresarial para que mais empresas se implementem em ligação com as com que já existem. Não apenas pela criação de emprego, mas para incentivar a transferência de know-how dos países desenvolvidos para os países em vias de desenvolvimento”, declarou.

E a educação e o setor digital são fundamentais nesta nova abordagem económica que, segundo Rebecca Stromeyer, fundadora da eLearning Africa, tem de valorizar mais o capital humano. “África é rica em recursos. Mas as pessoas também são recursos. Se houver uma população formada, com competências, as coisas vão funcionar. É muito importante que os governos planeiem as infraestruturas de forma a que todos tenham acesso à internet, por exemplo. É um direito fundamental, os custos são reduzidos, tem de ser acessível”, disse-nos.

A sustentabilidade dos investimentos insere-se igualmente nas prioridades da chamada economia verde e da luta em geral contra as alterações climáticas, tal como se estipula no Acordo de Paris.

Segundo o especialista ambiental Seyni Nafo, “África tem o potencial mais elevado em termos de energias renováveis. Mas, ao mesmo tempo, tem o mais reduzido acesso à energia. Portanto, há aqui uma oportunidade para colmatar este facto e contribuir de forma significativa para o desenvolvimento sustentável e lutar contra as mudanças climáticas”.

De acordo com um relatório recente coorientado pelo Banco Mundial, a população ativa africana vai aumentar em 70% até 2035.

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