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Polícia britânica investiga "atentado antimuçulmano" contra mesquita

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Polícia britânica investiga "atentado antimuçulmano" contra mesquita

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A polícia britânica vai reforçar a segurança nas mesquitas do país após um ataque com uma viatura ter ferido pelo menos 10 pessoas, às primeiras horas da madrugada de segunda-feira, no norte de Londres.

A ação está a ser investigada como um atentado terrorista anti-muçulmano, depois de ter visado vários fiéis à saída da mesquita de Finsbury Park, à hora do fim das orações do Ramadão.

O condutor da carrinha foi acusado de tentativa de assassínio depois de ter sido imobilizado por populares e detido pelas autoridades, e deverá ser submetido a um exame psicológico.

A primeira-ministra Theresa May condenou a ação com um novo apelo a lutar contra o extremismo.

“Trata-se de um ataque contra muçulmanos no seu local de oração e como todo o terrorismo, independentemente da sua forma, este ataque partilha o mesmo objetivo principal, o de tentar dividir-nos e quebrar os laços essenciais de solidariedade e cidadania que partilhamos neste país. Nós não vamos deixar que tal aconteça”.

Criticada por falta de empatia com o público, após o terceiro ataque com uma viatura desde Março, a primeira-ministra reuniu -se com vários responsáveis religiosos locais, esta segunda-feira, assim como o líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn, que defendeu o caráter multicultural e multiconfessional da comunidade.

Uma residente local, Emma Salem, de 15 anos afirma:

“Desde os últimos atentados que, para lá do terrorismo, tenho a sensação de que os meios de comunicação social tentam inflamar a fúria das pessoas em vez de tentarem resolver o problema, sinto a islamofobia a tornar-se um tópico frequente nas notícias. Sinto-me um alvo, insegura, e acho que uma comunidade não devia sentir-se assim”.

As autoridades de Londres afirmam ter registado um aumento de 500% dos insultos e crimes racistas após os recentes atentados de London Bridge e de Manchester, ambos reivindicados pelo grupo Estado Islâmico.

A mesquita de Finsbury Park era apontada há mais de uma década como um “refúgio” de islamitas radicais como o clérigo Abu Hamza al-Masri, extraditado para os EUA onde foi condenado em janeiro de 2015 à prisão perpétua por terrorismo. Um passado que levou o templo a aprovar uma profunda reforma em 2005 para afastar os imãs mais radicais do local.

As primeiras informações sobre o incidente de ontem apontavam igualmente para uma pessoa morta por atropelamento. A imprensa britânica sugere esta tarde que a morte não estaria relacionada com o ataque e que o indivíduo estaria já a ser assistido por uma ambulância, antes do início da ação, por um problema de saúde. O porta-voz da polícia metropolitana de Londres tinha precisado esta manhã que, “nenhuma das pessoas afetadas apresentava feridas de arma branca”.