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Quatro países árabes exigem ao Qatar cortar laços com Irão e Turquia


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Quatro países árabes exigem ao Qatar cortar laços com Irão e Turquia

Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos (EUA) e Egito terão feito chegar ao Qatar, via Kuwait, uma lista de 13 exigências para acabar com o boicote comercial e territorial imposto no início do mês a esta península do golfo. A aliança de quatro países árabes dão um ultimato de 10 dias ao governo de Doha para cumprir as exigências.

A notícia foi avançada pelas agências Associated Press (AP) e Reuters, garantindo terem tido acesso ao documento redigido em árabe, no qual se pede, por exemplo, o corte de relações com o Irão e o fecho da base militar turca no território administrado por Doha.

Tanto o Qatar como o Kuwait, mediador da atual crise diplomtiva no Golfo Pérsico, ainda não deram eco formal desta alegada lista de exigências, embora a AP tenha garantido a confirmação qatari de receção da lista.



Lista de exigências imposta ao governo de Doha, de acordo com a AP e a Reuters:


1. O Qatar tem de reduzir drasticamente as ligações com o Irão, fechando as missões diplomáticas iranianas no país, expulsar membros da Guarda Revolucionária do Irão e cortar quais quer cooperações militares e de informações com o Irão. Apenas o comércio que respeite as normas norte-americanas e as sanções internacionais serão permitidos, se não colocarem em risco a segurança no Conselho de Cooperação do Golfo;

2. Fechar de imediato a base militar turca em construção e suspender a cooperação militar com a Turquia nos territórios qatari;

3. Encerrar a televisão Al-Jazeera e toda a respetiva rede de estações afiliadas à televisão financiada pelo Qatar;

4. Cortar todos os laços com todas as organizações terroristas, sectárias e ideológicas, em especial com a Irmandade Muçulmana, o ISIL (grupo Estado Islâmico/ “daesh”), Al-Qaida, Fateh Al-Sham (antiga Frente Al Nusra) e o libanês Hezzbollah. O Qatar deve declarar formalmente essas entidades como grupos terroristas;

5. Suspender todas as formas de financiamento de indivíduos, grupos ou organizações que tenham designadas como terroristas pela Arábia Saudita, os EAU, o Egito, o Bahrein, os Estados Unidos e outros países;

6. Entregar supostos terroristas, fugitivos e indivíduos procurados por Arábia Saudita, EAU e Bahrein aos respetivos países de origem. Congelar os ativos destes indivíduos e disponibilizar informação das suas residências, movimentos e finanças;

7. Acabar com a interferência nos assuntos internos de países soberanos. Deixar de conceder cidadania a cidadãos procurados na Arábia Saudita, EAU, Egito e Bahrein. Revogar a cidadania qatari a estrangeiros em que essa cidadania viole as leis dos respetivos países de origem;

8. O Qatar deve pagar a reparação e compensações pela perda de vidas e outras perdas financeiras provocadas pelas políticas de Doha nos últimos anos. A soma será determinada em coordenação com o Qatar;

9. O Qatar deve alinhar-se com os outros países árabes e do Golfo em termos militares, políticos, sociais e económicos, tal como acordado com a Arábia Saudita em 2014;

10. Submeter todas as informações pessoais de todos os membros da oposição que o Qatar apoiou e detalhar o apoio providenciado a estes no passado. Parar todos os contactos com a oposição política na Arábia Saudita, no EAU, no Egito e no Bahrein. Entregar todos os ficheiros detalhando os contactos anteriores mantidos com e em apoio desses grupos da oposição;

11. Fechar todos os meios de comunicação que financia, direta ou indiretamente, incluindo Arabi21, Rassd, Al Araby, Al Jadeed, Mekameleen e Middle East Eye, etc.;

12. Aceitar todas as exigências no espaço de 10 dias após a entrega da lista ao Qatar ou a lista perde validade;

13. Consentir auditorias mensais no primeiro ano do acordo das exigências e depois uma vez por trimestre no segundo ano e, nos 10 anos seguintes, Qatar deve ser monitorizado anualmente para confirmar o cumprimento do acordo.

Fonte: Associated Press



Na quinta-feira, o sheik Mohammed Al Thani, o ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Doha, referiu em comunicado não ter recebido, à altura, quaisquer exigências, e, antes, esperava ser confrontado com provas das acusações apontadas ao Qatar.


A Turquia, por seu turno, recusa encerrar a base militar no Qatar. Num artigo do jornal Milliyedt, citado pela AP, o ministro da Defesa turco, Fikri Isik disse já esta sexta-feira que a construção da base tem por objetivo formar soldados qataris e melhorar a segurança daquela pequena península árabe no Golfo Pérsico.

O primeiro barco turco com um abastecimento de bens alimentares e um contingente de 23 soldados chegou a Doha na quinta-feira.


O boicote promovido pelos países vizinhos ao Qatar está a provocar vítimas também entre os camelos, cujo o único crime, na ótica dos sauditas, será serem oriundos da pequena península árabe do Golfo Pérsico. O único país de fronteira terrestre com o Qatar anunciou ter expulsado do respetivo território rumo a casa cerca de nove mil camelos em apenas 36 horas.

Alguns dos animais perderam-se no caminho para o Qatar e há relatos de alguns terem morrido ou ficado feridos. Um representante da Associação de Proprietrios de Camelos do Qatar criticou a medida saudita. “Nunca vamos esquecer o que eles fizeram”, disse Mohammad Merri à Al-Jazeera.