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Uma incursão surpreendente por Almaty


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Uma incursão surpreendente por Almaty

Almaty é a capital cultural do Cazaquistão e a maior área urbana do país. A história desta cidade, que é também o coração financeiro cazaque, remonta à Rota da Seda. Envolvida pelas montanhas, a ‘cidade dos jardins’ atrai muitos visitantes do mundo inteiro.

Dennis Keen conhece literalmente todos os cantos da cidade. Este americano veio para Almaty no âmbito de um programa escolar de intercâmbio. Acabou por deixar definitivamente a Califórnia para criar a Walking Almaty, um serviço de passeios turísticos.

“A joia da coroa da cidade é a Catedral da Ascensão. O edifício é feito de madeira de abeto de Tian Shan. Tem uma construção tão sólida que, 111 anos depois de ser erguido, continua em ótimo estado. Conheço o arquiteto que trabalhou na renovação da estrutura. Recentemente abriram as camadas superiores do revestimento e por baixo continuava tudo como novo”, explica-nos Dennis.

Outro marco de Almaty é a Ópera e Teatro Nacional Abay. A construção data dos anos 30, integrando na sua arquitetura elementos das tradições cazaques. “No meio, podemos ver um homem a tocar a dombra, o instrumento nacional. Ao lado temos figuras realistas a apanhar maçãs. Almaty é conhecida como a cidade das maçãs. Diz-se que todas as maçãs do mundo têm a sua origem nas árvores que crescem aqui à volta”, diz-nos.

No interior do teatro deparamo-nos com a história de um antigo guerreiro, encontrado numa sepultura na região de Almaty envergando vestes douradas. O denominado homem dourado passou a ser um símbolo do país.

“O hall está decorado com elementos das vestes do guerreiro dourado. Podemos ver também um leopardo-das-neves dourado, que é igualmente um símbolo de Almaty. É um animal que vive nos montes Trans-Ili Alatau”, aponta Askar Buribayev, diretor do teatro.

“Não trocaria Almaty por nenhuma outra cidade”

A estância de esqui de Schimbulak, no vale de Medeu, acolhe um ringue de gelo situado a quase 1700 metros acima do nível do mar. A apenas 15 quilómetros da cidade, estas montanhas são, muitas vezes, o cenário de produções cinematográficas.

O realizador Kanagat Mustafin ultima uma rodagem: “Nasci e cresci em Almaty. Não a trocaria por nenhuma outra cidade do mundo. Por isso é que toda a ação do meu filme se situa em Almaty. Todas as personagens convergem para aqui”.

Um dos primeiros passos na aprendizagem da língua nacional para Dennis foi memorizar os nomes das ruas. E foi então que descobriu que muitas delas foram batizadas em honra de músicos cazaques. Dennis decidiu criar o circuito das “ruas musicais” de Almaty.

“Entra no google maps e clica no nome da rua onde se encontra. Neste momento, estamos na rua Kulash Baiseiytova, que foi uma das cantoras de ópera mais famosas de sempre neste país. Há uma pequena biografia que escrevi sobre ela. Era conhecida como o ‘rouxinol cazaque’”, conta-nos.

Entre os turistas que Dennis levou até ao chamado Mercado Verde, encontravam-se dois arquitetos à procura de inspiração. Este edifício, desenvolvido na década de 70, é o exemplo acabado do construtivismo soviético.

“Há 9 cúpulas em forma de pirâmide. Trazem luz natural para este espaço, que é muito luminoso. As janelas foram concebidas para poder evacuar o ar quente do mercado”, salienta David Kaminski, um dos arquitetos.

Por último, Dennis levou-nos até a uma tenda nómada para provar o prato nacional do Cazaquistão: o Beshbarmak, composto de carne de cavalo, massa e molho de cebola. “Beshbarmak significa 5 dedos. Come-se com as mãos”, explica.

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