Última hora

As ilhas gregas são um paraíso para milhares de turistas, todos os anos, e uma importante fonte de receitas para o país. No entanto, para os habitantes, os custos da insularidade são fortes. Por isso, muitas destas regiões beneficiavam, até há dois anos, de uma taxa de IVA preferencial, que chegou ao fim, por culpa da austeridade. O IVA nas ilhas, como aqui em Milos, é agora de 24%, como no resto da Grécia. Para setores como o da restauração, é um golpe, como contou à euronews o dono de um restaurante em Pollonia: “Com 24% de IVA e as outras medidas, é impossível tornar uma empresa rentável em apenas 6 meses, tendo em conta que no resto do ano está fechada ou a trabalhar a meio-gás. Não estamos a falar de empresas que trabalham 12 meses por ano com a mesma clientela”, diz Christos Michail.

A falta de infraestruturas pode passar despercebida aos turistas, mas não a quem cá vive. Iakovos Lillis tem outro dos restaurantes de Pollonia: “Até posso pagar os 24%, mas não temos um centro médico, nem água canalizada, nem esgotos. Somos a segunda maior vila de Milos e não temos esgotos. Queremos que o governo, o município e todos os responsáveis se organizem para fazer alguma coisa”.

Para Averkios Gaitanis, político local, antigo adjunto do presidente da Câmara de Milos, a redução no IVA era fundamental para compensar as diferenças no custo de vida: “Está provado que o custo de vida nas ilhas é 30% mais alto que no continente. A redução no IVA era a ajuda que o Estado nos dava, para que as pessoas enfrentassem as necessidades. É preciso não esquecer que as ilhas não são só aquilo que as pessoas veem no verão”.

A maior ironia que os críticos apontam à subida do IVA é o facto de penalizar o setor turístico, justamente aquele que é visto como o principal motor de crescimento económico. Dois anos depois da entrada em vigor da nova taxa, o setor da hotelaria nas ilhas gregas prepara-se para mais um verão movimentado, mas em que o retorno económico é agora mais difícil.