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Número três da hierarquia do Vaticano acusado de pedofilia

Foram apresentadas várias queixas. Cardeal australiano George Pell nega todas as acusações.

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Número três da hierarquia do Vaticano acusado de pedofilia

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Com ABC Australia e Lusa

O​ dirigente da secretaria de Economia do Vaticano, o cardeal australiano George Pell, foi formalmente acusado de crimes de abuso sexual de menores*​ por um tribunal de *Melbourne, no estado de Victoria.

Como responsável das finanças da Santa Sede, George Pell, de 76 anos, é considerado o número três da hierarquia da Igreja, depois do Papa.

Segundo um comunicado da diocese de Sidney, o cardeal Pell deverá voltar ao país “tão depressa quanto possível”, de forma a poder “limpar o seu nome”. O comunicado acrescenta que Pell “voltou a negar todas as acusações.”




Depois das primeiras notícias relacionadas com o caso, o mais alto membro da hierarquia do Vaticano a ser indiciado por crimes relacionados com abuso sexual disse que tudo se tratava de uma “campanha dos media” contra ele.

A polícia australiana diz, no entanto, que são várias as queixas apresentadas contra o clérigo, relacionadas com alegados abusos cometidos nos anos 70.

Segundo o serviço público australiano de radiotelevisão ABC​,​ a Austrália não tem qualquer tratado de extradição com o Vaticano, ainda que o tenha com Itália.

Um cardeal conservador que considera a homossexualidade como “algo errado

​Pell​ foi ouvido três vezes no âmbito da investigação e reconheceu, ​em 2016, que a Igreja cometeu “enormes erros” ao permitir que milhares de crianças fossem violadas por padres.

​Admitiu ter falhado* ao acreditar frequentemente nos padres em detrimento das vítimas que alegaram abusos.

Foi ordenado em 1966 em Roma, regressando, cinco anos depois, à Austrália, onde ascendeu ao topo da hierarquia católica.​ ​Foi sacerdote na cidade de Ballarat entre 1976 e 1980​,​ e arcebispo de Melbourne entre 1996 e 2001, no estado de Victoria, sul da Austrália.




Posteriormente, tornou-se arcebispo de Sydney e, em 2014, foi escolhido pelo papa Francisco para desempenhar a função semelhante à de ministro da Economia do Vaticano para reorganizar a gestão e as finanças da Santa Sé.

​Ficou conhecido pela oposição aos católicos progressistas pela resistência às reformas na Igreja Católica, como no que diz respeito à ordenação de mulheres. Tomou ainda posição contra o divórcio, contra o aborto e recusou fazer a comunhão a ativistas pelos direitos dos homossexuais. ​

​Em 1990, disse que estava consciente da existência da homossexualidade, mas que acreditava tratar-se de algo errado e que, para o bem da sociedade, não deveria ser encorajado. ​