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Como a Molengeek está a transformar Molenbeek

As empresas sociais propõem-se ajudar a reduzir as desigualdades através dos seus produtos ou serviços. Vamos conhecer um exemplo em Molenbeek.

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Como a Molengeek está a transformar Molenbeek

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O Business Planet veio até ao bairro de Molenbeek, em Bruxelas, falar com Ibrahim Ouassari, um dos fundadores da Molengeek, uma incubadora de empresas com um propósito social bem preciso.

“A Molengeek pretende que toda a gente tenha acesso às tecnologias, ao empreendedorismo e à inovação. Não importa o percurso académico… O que conta é ter iniciativa e projetos”, diz-nos Ibrahim.

Charles é um estudante de Direito que ajudou a conceber a ideia de uma plataforma digital para juntar estudantes com empresas que procurem colaboradores pontuais em projetos na área do marketing, das tecnologias de informação e do audiovisual. “Nós ajudamos os estudantes a tornarem-se empreendedores. Procurávamos um sítio para aprofundar o projeto e encontrámos a Molengeek”, explica.

  • As novas tecnologias podem gerar um dinamismo social que constitua uma oportunidade ao nível do empreendedorismo.
  • As iniciativas que seguem este caminho têm sido apelidadas de “inovações sociais”.
  • Há vários exemplos de empresas sociais que têm ajudado a reduzir desigualdades e a promover a inclusão.
  • Um deles é a Molengeek, no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, onde os jovens podem desenvolver gratuitamente as suas competências digitais.

Ligações úteis

Charles lançou a Skilliz há cinco meses e os lucros não tardaram a aparecer. Até ao fim do ano, conta integrar 3 mil estudantes e 200 empresas.

A incubadora, situada no conhecido bairro de Molenbeek, ajudou-o através do debate de ideias e da inclusão numa rede de contactos. Na verdade, a Molengeek, que surgiu em 2015, já colaborou com mais de 200 pessoas da comunidade local.

Porquê uma incubadora inclusiva? “Tem a ver com o meu trajeto: abandonei a escola aos 13 anos. Aos 20, descobri a informática por acaso. Hoje tenho 4 empresas e duas dezenas de empregados. Quero mostrar aos outros que toda a gente pode fazer o mesmo”, salienta Ibrahim.

Os fundadores da Molengeek desenvolveram também uma escola de programação informática, onde os cursos são gratuitos. Ao mesmo tempo, incentivam ao trabalho voluntário no bairro de Molenbeek. O percurso da Molengeek chamou a atenção do governo federal belga, que lhe atribui agora alguns apoios, assim como de gigantes como a Google e a Samsung. Há igualmente projetos em curso com a Comissão Europeia.

Segundo Ibrahim, o próximo passo é “desenvolver a escola de programação, que tem muita procura, e criar um fundo de investimento para apoiar as start-ups concebidas connosco. Às vezes, é difícil angariar fundos, porque alguns não têm diplomas universitários e vêm de Molenbeek”.