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Nano tecnologia no restauro e conservação das maiores catedrais europeias

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Nano tecnologia no restauro e conservação das maiores catedrais europeias

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Damos-lhe a conhecer um projeto com fundos europeu de recuperação de pedras desgastadas e consolidação de estruturas para "reavivar" a herança arquitetónica europeia.

A recuperação e conservação da herança arquitetónica europeia é o objetivo do estudo Nano-Cathedral. Cinco monumentos representativos de diferentes exposições climáticas e de pedras usadas na construção foram incluídas nesta investigação.

A catedral de Pisa, em Itália, e a de Santa Maria, em Vitória-Gasteiz, Espanha, foram as eleitas para representar os monumentos expostos ao clima mediterrânico litoral e continental do sul da Europa.

A catedral de Santo Bavão, em Gent, na Bélgica, a de São Pedro e Maria, em Colónia, na Alemanha, e a de Santo Estêvão, em Viena, na Áustria, foram escolhidas para representar os monumentos expostos ao clima litarl e continental do Norte da Europa.

A reportagem de “Futuris”, da euronews visitou as catedrais de Pisa e Viena.

Em, Itália, a atual fase de restauro começou há quatro anos, com recurso a técnicas tradicionais. O que pode mudar em breve, graças à ajuda da química e da ciência dos materiais.

A vasta variedade de pedras usadas desde o século XI na construção desta catedral italiana está a ser restaurada por ferramentas hoje em dia comuns como o “laser”. Mas os restauradores estão também já a experimentar a nanotecnologia.

Um produto com nanopartículas inovadoras é aplicado e os efeitos são monitorizados. Este processo tem o objetivo de consolidar o interior das pedras. Neste caso, mármore.

“O mármore tem uma porosidade reduzida e isto obriga-nos a usar partículas nanométricas para conseguirmos penetrar bem dentro dessas porosidades e garantir ao mesmo tempo uma certa transpiração e uma certa eficiência do tratamento”, explica-nos a engenheira civil italiana Roberta Cela.

Químicos de um projeto europeu de pesquisa desenvolveram consolidantes como o carboneto de cálcio, que se obtém pela mistura de óxido de cálcio, água e dióxido carbono. Pequenas nanopartículas suspensas na solução são capazes de penetrar as pedras e cimentar a estrutura degradada.

“É importante que estas partículas tenham a mesma natureza química das pedras em tratamento para que, ao longo do tempo, estas partículas não atravessem diferentes processos físico mecânicos que possam levar as pedras a partirem-se”, revela Dario Paolucci, químico da universidade de Pisa.

Para conhecermos a aplicação deste nano projeto aos monumentos do norte da Europa, visitámos também a catedral de Santo Estêvão, em Viena. Observámos a avaliação das características mecânicas das pedras usadas.

Como as amostras históricas disponíveis para estudo são limitadas, os cientistas tiveram também de descobrir como “envelhecer” amostras de pedras comuns para poderem ter mais opções.

Cientistas dos materiais, Matea Ban contou-nos terem sido tentadas “abordagens diferentes como a congelação, sais e ácidos”.

“Decidimos apostar no envelhecimento termal. Aquecemos a pedra a certas temperaturas. Os minerais no interior expandem-se em certas direções e quando se expandem desenvolvem tensões com os minerais adjacentes e partem-se. Nós precisamos dessas fendas para sabermos como as consolidar”, explicou-nos Matea Ban.

Os consolidantes são então aplicados em diversos tipos de calcário, arenitos e mármore, representantes das várias pedras usadas na construção das catedrais europeias. Os investigadores procuram propriedades precisas nos candidatos a consolidantes.

“Em primeiro lugar, o consolidante tem de ser bem absorvido pela pedra. Depois, no decurso da respetiva evaporação do solvente, o material consolidante tem de penetrar num local preciso na estrutura da pedra, mas não deve encolher demasiado — todos os materiais encolhem quando secam e os consolidantes também. Os consolidantes têm de ser bastante aderentes aos grãos da pedra, mas não devem sufocar os poros da pedra”, avisou o petrólogo Johannes Weber, da universidade de artes aplicadas de Viena.

Mais testes em superfícies reais estão em curso. Os investigadores esperam poder vir a conseguir uma melhor proteção e promoção da herança cultural europeia.