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Os desafios da Nova Rota da Seda

A chamada Nova Rota da Seda é um vasto projeto impulsionado pelo presidente Xi Jinping, com o objetivo de unir Ásia, África e Europa.

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Os desafios da Nova Rota da Seda

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A política externa chinesa foi um dos principais temas em debate no Fórum Crans Montana, em Barcelona, sobretudo no que diz respeito à chamada ‘Nova Rota da Seda’. Trata-se de um vasto projeto impulsionado em 2013 pelo presidente Xi Jinping. Objetivo? Unir Ásia, África e Europa numa rede que se estende por terra e mar, conferindo toda uma nova dimensão à economia global.

A iniciativa assenta no estabelecimento de uma série de corredores comerciais, criando uma rede de cooperação com cerca de 60 países que representam quase dois terços da população mundial.

Segundo Siddique Khan, responsável da Globalink Logistics, “há muitas pequenas economias que também participam na rede e que dispõem de recursos naturais diversos. Graças à Nova Rota da Seda, os produtores vão ter um acesso mais facilitado às matérias-primas destes países e ajudar a criar uma cadeia de valor acrescentado assente no desenvolvimento das matérias até ao produto final”.

Muitos dos países atravessados pela rota têm assim a oportunidade de colmatar deficiências nos transportes e infraestruturas, sendo que Pequim, o principal impulsionador do projeto, anunciou recentemente a injeção de 110 mil milhões de euros.

“Todos os líderes políticos, os membros dos parlamentos, os órgãos governamentais têm de garantir que as populações conhecem as vantagens desta parceria com a China e da forma como podem beneficiar dela. Os cidadãos têm de ser integrados neste acordo, assim como nas atividades que os chineses pretendem promover”, salientou Veronica Eragu, deputada ugandesa.

“Podemos saltar para a linha da frente”

No entanto, a posição da China como grande impulsionador e investidor no continente africano e no Médio Oriente gera bastantes reticências entre países como a Índia. Para Hakima El Haite, enviada da Cop 22, “a China terá forçosamente de respeitar os direitos humanos, nomeadamente no que toca aos rendimentos mínimos a dar aos trabalhadores, por aí fora…. Por isso é que o envolvimento da União Europeia pode constituir uma grande ajuda, assegurando o cumprimento dos direitos humanos no âmbito deste projeto”.

Até agora, as questões da transparência, do impacto ambiental e da responsabilidade social têm impedido um aprofundamento do papel de Bruxelas. No entanto, há quem defenda que o Velho Continente pode assumir o protagonismo.

“Neste momento, os Estados Unidos estão a hesitar, têm uma política mais protecionista. E isso dá uma vantagem à Europa na cooperação com a Ásia e com África. Nós temos de agarrar esta oportunidade. Se os Estados Unidos estão a vacilar, nós podemos saltar para a linha da frente”, considera Artis Pabriks, antigo ministro da Defesa da Letónia.

Mas o caminho é longo: Pequim aponta o ano de 2049 para a conclusão desta Nova Rota da Seda.