This content is not available in your region

Bolivianos respondem a catástrofes com curas ancestrais

Access to the comments Comentários
De  Euronews
Bolivianos respondem a catástrofes com curas ancestrais

<p><strong>A medicina tradicional pode ajudar num</strong> <a href="http://ec.europa.eu/echo/news/eu-responds-devastating-floods-bolivia_en">cenário de catástrofe natural</a>? <strong>O Aid Zone foi até à Amazónia Boliviana conhecer algumas curandeiras, as suas práticas e os segredos das plantas.</strong></p> <p>No espaço de um século, a Bolívia viveu cerca de 40 cheias de grande dimensão. As inundações já fizeram mais de 140 mil mortos e afetaram 3 milhões de habitantes. Em 2014, o país assistiu às piores cheias em 60 anos. Localidades inteiras foram engolidas por deslizamentos de terras.</p> <p>Na bacia boliviana do Amazonas, há mais de duas dezenas de comunidades indígenas que são sistematicamente atingidas por inundações. As catástrofes naturais podem isolar localidades como Capaina durante meses. A <a href="https://www.un.org/press/en/2009/ecosoc6385.doc.htm">medicina tradicional</a> é o recurso para tratar os casos mais urgentes. Dona Juanita e Dona Antonia são duas curandeiras locais que conhecem os segredos das plantas.</p> <a data-flickr-embed="true" href="https://www.flickr.com/photos/euronews/albums/72157686455659635" title="Aid Zone 4 Bolivia"><img src="https://farm5.staticflickr.com/4299/35847394172_e0e0707101_z.jpg" width="640" height="480" alt="Aid Zone 4 Bolivia"></a><script async src="//embedr.flickr.com/assets/client-code.js" charset="utf-8"></script> <p><em>“Quando há um desastre, seja por causa do rio ou do vento, não há dinheiro para ir ao hospital. Esta medicina é uma grande ajuda nas alturas em que tudo acontece. Eu descobri as plantas quando era criança. Ia com a minha avó ao monte buscar cascas de árvore para ferver”</em>, conta-nos Dona Juanita.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="en" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/filming?src=hash">#filming</a> in <a href="https://twitter.com/hashtag/rurrenabaque?src=hash">#rurrenabaque</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/bolivia?src=hash">#bolivia</a>. traditional <a href="https://twitter.com/hashtag/medicine?src=hash">#medicine</a>'s role facing <a href="https://twitter.com/hashtag/floods?src=hash">#floods</a>. A travel through time in remote <a href="https://twitter.com/hashtag/Bolivia?src=hash">#Bolivia</a> in July <a href="https://twitter.com/hashtag/aidzone?src=hash">#aidzone</a> <a href="https://t.co/2YQmPIUEP1">pic.twitter.com/2YQmPIUEP1</a></p>— Monica Pinna (@_MonicaPinna) <a href="https://twitter.com/_MonicaPinna/status/876726171219750913">19 juin 2017</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>Partilhar o saber, comparar receitas</h3> <p>Dona Juanita e Dona Antonia trabalham de perto com uma <span class="caps">ONG</span>, chamada <a href="http://www.solucionespracticas.org.bo/construyendo_comunidades_resilientes_y_prosperas_1">Soluciones Prácticas</a>, que é apoiada pelo Gabinete Europeu de Ajuda Humanitária. Juntos tentam <a href="https://www.theglobalist.com/health-in-the-andes-the-modern-role-of-traditional-medicine-part-i/">dar uma nova vida a práticas ancestrais</a>.</p> <p><em>“Há séculos que estas práticas existem, de forma empírica. Aquilo que estamos a tentar fazer é dar-lhes uma base legal e científica. Fizemos um inventário das plantas medicinais que há. São mais de cem. Mas há muitas outras que estão por identificar. E nós vamos continuar o nosso trabalho”</em>, afirma Victor Yapu, da Soluciones Prácticas.</p> <script id="infogram_0_as_cheias_na_bolivia_em_numeros" title="As cheias na Bolívia em números:" src="//e.infogram.com/js/dist/embed.js?C9s" type="text/javascript"></script> <p>Essa listagem serve de ponto de partida para um reconhecimento oficial por parte do sistema de saúde. Esta <span class="caps">ONG</span> está a tentar proteger e disseminar <a href="https://berkleycenter.georgetown.edu/posts/traditional-medicine-in-the-lowlands-of-bolivia">os conhecimentos acumulados ao longo do tempo</a>. Outra das etapas é fazer com que estas curandeiras partilhem o seu saber e comparem métodos, receitas e tratamentos.</p> <p>A medicina tradicional é uma das vertentes de um vasto projeto destinado a proteger a diversidade das comunidades étnicas da Bolívia. <em>“Há certas comunidades indígenas que são autóctones, são daqui. Outras vieram dos planaltos, de variadas zonas do país. É importante que os recém-chegados possam também aceder a estes conhecimentos. A desflorestação faz com que com as plantas medicinais se afastem progressivamente. Por isso é que o projeto incentiva também à recolha de plantas e sementes para semeá-las de novo junto às comunidades, para que não tenham de ir à floresta afastada em caso de emergência”</em>, explica Pablo Torrealba, do Gabinete Europeu de Ajuda Humanitária.</p> <p>Um dos objetivos é então a partilha de conhecimentos com as novas gerações e a <a href="http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/92455/1/9789241506090_eng.pdf?ua=1">divulgação das práticas</a>. Exemplo disso é a feira de Rurrenabaque.</p> <p>Uma vez por semana, Dona Juanita e Dona Antonia fazem uma viagem de 20 minutos de barco para venderem os remédios caseiros que fazem. <em>“Vendo um pouco de tudo. Trago aquilo que as pessoas me pedem”</em>, diz-nos Dona Antonia.</p>