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Queda na produção e nas vendas de automóveis no Reino Unido

Segundo a SMMT, a produção de veículos caiu 13,7% em junho, quando comparada com período homólogo.

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Queda na produção e nas vendas de automóveis no Reino Unido

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Com Reuters

No Reino Unido, a venda de veículos abrandou, depois de um período de vendas recorde. O setor automóvel britânico deverá assim produzir menos do que os dois milhões de veículos ligeiros por ano previstos para os próximos três anos.

Os dados são da Sociedade de Construtores e Vendedores de Veículos do Reino Unido, a SMMT.




Segundo a SMMT, a produção de veículos caiu 13,7% em junho, quando comparada com o mesmo periodo do ano passado.

Uma queda na produção que acompanhou um declínio nas vendas. Durante os primeiros seis meses do ano, as vendas foram afetadas pelo aumento do imposto sobre a circulação automóvel no Reino Unido, que teve lugar no mês de abril.




Quando comparadas com período homõlogo do ano anterior, as vendas de veículos novos cairam 9,5% nos primeiros seis meses de 2017.

Os industriais do setor preocupam-se também com os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, nomeadamente no que às exportações e importações diz respeito.

O aumento das tarifas aduaneiras poderia provocar um aumento dos custos e um declínio de até 10% nas vendas.

Outro grande desafio para o mercado automóvel britânico é a decisão de banir veículos a gasolina e a diesel a partir de 2040. Uma decisão que obriga à produção em assa de ligeiros híbridos e elétricos.

Carros a gasolina e a gasóleo banidos a partir de 2040

O Reino Unido vai proibir a venda de carros a gasolina e gasóleo a partir de 2040, de forma a reduzir a poluição atmosférica. A medida põe fim a mais de um século de utilização de energias fósseis para motores de veículos, com um inegável impacto sobre a qualidade do ar que respiramos. No entanto, haverá também consideráveis mudanças no mercado do setor automóvel a nível europeu e mundial.

Que impacto sobre o mercado de trabalho?

Em primeiro lugar, haverá uma importante mudança a nível comercial. Por agora, os números estão longe representarem uma fasquia importante. Apenas 0,2% dos veículos ligeiros vendidos no continente europeu em 2016 são elétricos. Se contarmos com modelos híbridos – ou seja, com motor elétrico e a gasolina – como o Toyota Prius, a cifra sobe para 1,3%.

Em segundo lugar, a mudança na fabrico de automóveis terá um impacto sobre a estrutura – e mão de obra – necessárias para a produção dos mesmos. Um automóvel com motor tradicional utiliza cerca de 1.400 peças, entre transmissão, sistema exaustor e o próprio motor. Um veículo totalmente elétrico utiliza uma média de 200 componentes.

A associação de empresas da indústria automóvel alemã (VDA, sigla em alemão), estima que a proibição da produção de veículos movidos a combustíveis fósseis poderia ameaçar até 600 mil empregos no país, 430 mil dos quais diretamente relacionados com a produção de componentes para os veículos.




Existem mais de 120 unidades de produção de componentes para veículos no continente europeu. Há mais de 100 mil trabalhadores no setor em diferentes países.

A criação de unidades de produção automóvel especializadas em híbridos e elétricos poderia criar até 25 mil novos postos de trabalho entre 2015 e 2030, segundo a consultora Alix Partners. Os híbridos poderiam também contribuir para uma relativa absorção das ondas de choque provocadas pela transformação do serviço produtivo, já que este tipo de veículos incorpora também motores tradicionais, ou seja, a gasolina.

Qual a importância da medida britânica para a Alemanha

Em 2016, o Reino Unido foi o mais importante mercado de exportação para as construtoras alemãs em todo o mundo, tendo em conta que são exportados menos veículos para mercados como a China ou os Estados Unidos por existirem unidades de produção nesses países.




Foram vendidos, no ano passado, cerca de 800 mil veículos de marcas alemãs em todo o Reino Unido, o que corresponde a cerca de 20% do total das exportações de veículos alemães a nível mundial. Desta forma, parece inevitável que as grandes construtoras alemãs acelerem o seu processo de adaptação à produção em massa de veículos elétricos para conservarem a presença neste importante mercado de exportação a nível mundial.

Que custo de produção?

Cerca de 60% do custo de produção dos veículos elétricos é absorvido pela produção da bateria, o que significa que esta é ainda cara, ainda que os valores de produção tenham caído de forma importante e permanente.

Espera-se que o custo de produção das baterias desça até chegar ao mesmo nível que o custo de produção de um motor combustível, com todos os componentes incluidos, o que poderá acontecer antre 2020 e 2030. O aumento dos impostos sobre os combustíveis e os mecanismos de compensação para a compra de veículos elétricos deverão contribuir para a tendência.

Que nível de investimento?

É imporante apostar em estações de recarga dos veículos. Londres, por exemplo, deverá realizar investimentos na ordem dos 10 mil milhões de euros para este tipo de infraestruturas. Segundo a consultora AlixPartners, nenhum destes investimentos foi ainda levado a cabo até ao momento.