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Riccardo Muti levou os "Caminhos da Amizade" até ao Irão


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Riccardo Muti levou os "Caminhos da Amizade" até ao Irão

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O Festival de Ravena, em Itália, foi palco este ano de um encontro histórico. A 20a. edição dos Caminhos da Amizade, criados pelo maestro Riccardo Muti, juntou músicos italianos e iranianos num concerto de Verdi que teve lugar em Teerão e em Ravena.

O evento voltou a sublimar o princípio de estabelecer pontes com países que, por variados motivos, se viram privados de um contacto aberto com o resto do mundo. Mas o Irão só autorizou a realização do evento no último minuto.

“Este concerto foi o mais ousado de todos. Tanto por causa da situação política internacional, como pela interdição da música no país após a revolução islâmica. A Orquestra Sinfónica de Teerão e o coro foram reestabelecidos há dois anos. Depois das eleições presidenciais, o senhor Rohani abriu-nos as portas…”, afirma Muti.

Uma oportunidade para músicos como a violoncelista Honey Kazerooni tocarem pela primeira vez fora do Irão. “Estou muito feliz por encontrar pessoas doutras partes do mundo, doutras culturas, com uma história diferente, com outro tipo de arte. Foi a primeira vez que toquei numa ópera. Não tem nada a ver com tocar numa sinfonia. É muito maior. Temos de seguir os cantores, acompanhar tudo o que se passa à volta. Irei sempre dizer a toda a gente que tive a oportunidade de trabalhar com o maestro Riccardo Muti”, declara.

Uma vez que a República Islâmica proíbe que as mulheres cantem a solo, os trechos apresentados foram exclusivamente interpretados por cantores italianos.

“Nós não nos imiscuímos na política dos países que visitamos. Preferimos manter-nos afastados disso. Não vou criticar as razões que impedem uma soprano de subir ao palco. Prefiro destacar o facto de que há homens e mulheres lado a lado na orquestra. E esse é um grande passo”, considera o maestro.

Segundo Muti, “a escolha de um programa exclusivamente dedicado a Verdi foi acertada porque é um compositor universal. Como disse o poeta italiano Gabriele d’Annunzio: ‘Ele chorava de amor por toda a gente’”.

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