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"Guerra fria" de bastidores faz cair Reince Priebus na Casa Branca

Numa polémica conversa do diretor de Comunicação do Presidente dos Estados Unidos com um jornalista, outros assessores de Trump foram violentamente insultados.

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"Guerra fria" de bastidores faz cair Reince Priebus na Casa Branca

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O novo diretor de comunicação da Casa insultou de forma violenta outros assessores do Presidente dos Estados Unidos, incluindo o muito controverso Steve Bannon.

Aconteceu durante uma conversa telefónica promovida pelo próprio na quarta-feira com Ryan Lizza, na qual, garante o jornalista, Anthony Scaramucci nunca pediu para não ser citado.

A conversa foi depois divulgada em parte pelo jornalista Ryan Lizza, primeiro em excertos através da rede social Twitter e mais tarde relatada nas páginas do jornal The New Yorker.



Quem é Anthony Scaramucci?
Conhecido pela alcunha The Mooch”, nasceu em Long Island, no Estado de Nova Iorque, numa família de imigrantes italianos de classe média. Diplomou-se por Harvard, teve uma passagem pelo banco Goldman Sachs e foi responsável por fundos de investimento para clientes riquíssimos.

Scaramucci, de 53 anos, é um dos grandes contribuintes do partido Republicano. Em 2012, foi tesoureiro da campanha presidencial de Mitt Romney em 2012. Trump já o havia tentado integrar na Adminsitração, mas “The Mooch” terá sido bloqueado num primeiro momento por Reince Priebus, considera o próprio Scaramucci.

À segunda tentativa de Trump, a nomeação foi concretizada para diretor de Comunicação e motivou mais uma saída precipitada na presente Adminstração: a do porta-voz da Casa Branca Sean Spicer.


Na alegada conversa, Scaramucci exigiu ao jornalista a revelação da fonte sobre um determinado jantar Donald Trump reportado por Lizza na rede social e no qual teria estado também o próprio diretor de Comunicação, o radiolista de orientação nacionalista Sean Hannity, o antigo executivo da Fox News Bill Shin e a Primeira Dama, Melania Trump.

O jornalista recusou repetidamente denunciar as suas fontes: duas referidas num primeiro “twit” e uma outra outra referida como um “sénior oficial da Casa Branca.”

Durante a conversa, relatada depois por Ryan Lizza, Scaramucci referiu os nomes de dois outros assessores da Casa Branca: o chefe de Gabinete Reince Priebus, um suposto rival interno do novo diretor de Comunicação de Trump, e o estratega do Presidente, o controverso Steve Bannon — ambos violentamente insultados.

Sobre Priebus, Scaramucci garantiu esta a caminho da porta da rua e disse tratar-se de “um ‘fucking’ esquizofrénico paranóico”. Bannon foi descrito como alguém que se satisfaz em auto felação (ou, numa tradução mais literal sugerida pela agência Lusa, alguém que está sempre a tentar chupar o próprio pénis).


Depois de desligar o telefone ao jornalista, o diretor de comunicação terá publicado um “twit” a anunciar ir contatar o FBI e o Departamento de Justiça por ter surgido nos meios de comunicação a sua informação financeira. Nessa publicação, entretanto apagada, Scaramucci identificava Priebus, o homem que terá acusado como o delator dessa informação financeira e, inclusive, do jantar revelado por Ryan Lizza.

Após apagar esse polémico “twit”, Scaramucci publicou outro a dizer: “Errado! O ‘twit’ foi um anúncio público de que todos os séniores oficiais na Adminsitração estão a ajudar a acabar com as fugas ilegais de informação”. E voltou a identificar Priebus.

Depois, Scaramucci publicou outro “twit” assumindo o uso “ocasional de linguagem colorida”. “Vou abster-me neste particular, mas não vou desistir a luta apaixonada pelo programa de Donald Trump”, concluiu.


E depois ainda mais outro, quase três horas depois: “Cometi o erro de confiar num jornalista. Não voltará a acontecer.”


Ao mesmo tempo já o The New Yorker começava também a relatar a polémica conversa telefónia entre Scaramucci e Ryan Lizza, com o jornalista a ironizar: “Por vezes, acontece exatamente o mesmo que nos filmes.”


A seguir, surgiu o artigo com o relato da conversa que promete incendiar ainda mais o ambiente nos bastidores da Casa Branca e a relação de Donald Trump com os meios de comunicação.


O Presidente manteve-se em silêncio sobre este primeiro escândalo público protagonizado por Anthony Scaramucci até esta sexta-feira à tarde (já quase 22:00 em Lisboa), altura em que anunciou a substituição de Priebus por John F. Kelly.



O até agora secretário da Segurança Interna — “um grande americano e um grande líder”, destaca Trump — é promovido a chefe de Gabinete da Casa Branca.

“Gostava de agradecer a Reince Priebus pelo seu serviço e dedicação a este país. Conseguimos muito juntos e estou orgulhoso dele”, escreveu Trump na rede social Twitter.