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Liga Espanhola rejeita a rescisão de 222 milhões de Neymar

Liga Espanhola recusa depósito dos 222 milhões de euros da cláusula de rescisão de Neymar, adianta a Efe; brasileiro pode recorrer à FIFA para concretizar mudança para o PSG.

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Liga Espanhola rejeita a rescisão de 222 milhões de Neymar

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A Liga Espanhola rejeitou esta quinta-feira manhã o pagamento dos 222 milhões de euros referentes à cláusula de rescisão de Neymar no contrato com o Barcelona.

De acordo com a agência de notícias espanhola (Efe), quatro representantes do ainda jogador do Barcelona estiveram presentes na sede da Liga para accionar a cláusula de rescisão do atacante, mas o organismo que tutela as competições profissionais no futebol espanhol recusou o pedido.


Através do respetivo presidente Javier Tebas, “La Liga” já havia avisado não aceitar o dinheiro do PSG para pagar a rescisão de Neymar por considerar que seria um incumprimento do “fair play” financeiro imposto ao futebol europeu e ameaçou recorrer à UEFA com uma queixa contra os franceses. Tebas considerava ser necessário confirmar a origem do dinheiro e a capacidade económica dos investidores no PSG.

Esta quinta-feira, após a recusa de receber o depósito do cheque de 222 milhões de euros, fonte de “La Liga” garantiu à Marca que o organismo “não está a bloquear a ‘operação’ Neymar’”, simplesmente “não quer participar numa operação que viola o ‘fair play’ financeiro” imposto ao futebol europeu, lê-se no artigo da versão digital do jornal espanhol.

O clube parisiense é detido por uma empresa sediada no Qatar, Estado soberano que está a sofrer, entretanto, um polémico isolamento territorial, político e económico por parte de quatro países árabes vizinhos (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Egito) por alegado financiamento a organizações consideradas terroristas.

Em comunicado, o Barcelona revelou ter sido informado pelo jogador do desejo de abandonar o clube. A vontade de sair do brasileiro está ligada a uma transferência milionária para o Paris Saint-Germain, mas o processo sofreu agora um imprevisto.


No entanto, adianta a Marca, jornal desportivo espanhol sediado em Madrid, “La Liga” não tem o poder de bloquear a iminente transferência de Neymar para o PSG.

O próximo passo do brasileiro poderá ser solicitar à FIFA uma autorização provisória de transferência para, como estava previsto, poder ser ainda apresentado na sexta-feira e eventualmente poder estrear-se no sábado, na receção ao Amiens, da primeira jornada da “Ligue 1”, o campeonato francês.

A Liga francesa (LFP) emitiu, entretanto, um comunicado a apelar à congénere espanhola para que não bloqueie a transferência de Neymar e “se ajuste ao regulamento da FIFA e às suas atribuições”. “A LFP foi surpreendida e no compreende a recusa da Liga espanhola em simplesmente aceitar o pagamento da resciso”, lê-se num comunicado, onde o organismo se coloca ao lado mdo PSG e diz aguardar “a chegada de Neymar à Ligue 1.”

Em França já se fazem também contas fiscais ao impacto da contratação de Neymar pelo PSG. Aos microfones da rádio France Inter, o ministro gaulês das Contas Públicas enalteceu o facto de o brasileiro, caso se confirma a mudança para Paris, ir passar “a pagar os impostos em França” de um salrio estimado em 30 milhões de euros anuais durante pelo menos cinco temporadas.


“O interesse do Estado é que os jogadores de futebol paguem os seus impostos em França e não no estrangeiro”, disse Gérald Darmanin, garantindo que “os interesses dos serviços fiscais franceses serão bem observados” em relação a esta contratação de Neymar.

No Brasil, por fim, o Santos, o clube de onde se formou Neymar, aguarda a concretização do negócio para lucrar ainda mais alguns milhões com o jogador. O avançado brasileiro saiu para Barcelona em 2013, num negócio polémico, inicialmente avaliado pelos catalães em 57 milhões de euros, mas mais tarde revisto para um pagamento total de 88,4 milhões de euros.

O Santos espera receber o valor de quatro por cento do valor da transferência (cerca de nove milhões de euros) a que tem direito ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA para os clubes formadores. E ainda mais 4,5 milhões de euros, por compensação pelo segundo jogo particular acertado com o Barcelona no acordo de transferência de 2013 e ainda não concretizado.

O empresário do futebolista considera, no entanto, que o Santos não tem direito a qualquer verba pela formação do jogador.

“A rescisão unilateral em Espanha pode ser feita diretamente pelo clube que o atleta autorizar. Desta forma, como se trata de uma rescisão unilateral e não motivada por uma venda normal, creio que nenhum clube, seja ele formador ou não, terá direito sobre alguma percentagem. O Barcelona está sendo indemnizado pela cláusula de rescisão e não tem de partilhar nenhum valor”, defendeu Wagner Ribeiro, citado pela ESPN.