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Sismo de Ischia motiva investigação à construção ilegal

Procurador de Nápoles sublinha a gravidade dos edifícios clandestinos e o presidente do conselho italiano de geólogos descreve à euronews os defeitos das casas da ilha afetada.

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Sismo de Ischia motiva investigação à construção ilegal

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O Ministério Público de Nápoles está a ponderar abrir uma investigação contra desconhecidos por homicídio e homicídio involuntário pelas duas mortes já confirmadas na sequência do sismo de segunda-feira à noite na ilha de Ischia, em Itália. O terramoto provocou ainda cerca de quarenta feridos.

A construção ilegal é um problema crónico em Itália. O instituto de estatística ISTAT estimou que em 2015 um quinto das novas casas construídas no país resultaram de projetos ilegais — em 2009, apemnas nove por cento das novas casas terão sido construídas de forma clandestina.

À euronews, o presidente do conselho italiano de geólogos sublinhou que, em Ischia, “construção ilegal é um grave problema”. “As casas foram construídas de forma muito rápida, sem as devidas verificações geológicas e utilizando betão empobrecido”, acusou Francesco Peduto.

À Rádio 1 da italiana RAI, o procurador Giovanni Melilo, de Nápoles, admitiu que o apuramento de responsabilidade é uma investigação “complexa mas necessária”.


“Neste momento, estamos na fase ordinária das avaliações possíveis. Não há como evitar os custos sociais de fenómenos graves como são a construção ilegal e abusiva. Este problema representa uma das prioridades do Ministério Público de Nápoles e, na região de Campânia, tem uma dimensão extraordinariamente grave e, por isso, deve ser investigado”, referiu Melilo, citado pela agência Ansa.

Após algumas histórias felizes do resgate de sobreviventes de debaixo dos escombros, incluindo o de um bebé de sete meses, na última madrugada Ischia voltou a ser abalada por um sismo de magnitude 1.9. Algumas pessoas chegaram a fugir para as ruas, mas não há registo de novos danos ou vítimas.


Aos poucos, os habitantes tentam retomar a vida normal e tranquilizar os turistas que persistiram na ilha apesar do terramoto.