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Condenado por racismo, Joe Arpaio é perdoado por Trump

Antigo xerife de Maricopa aguradava leitura da sentença e arriscava seis meses de prisão, mas o Presidente entendeu sobrepor o"admirável serviço à nação" à desobediência aos tribunais.

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Condenado por racismo, Joe Arpaio é perdoado por Trump

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O Presidente dos Estados Unidos perdoou sexta-feira o antigo xerife Joe Arpaio. O antigo chefe da forças da ordem de Maricopa, Arizona, sudoeste dos Estados Unidos, havia sido condenado há um ano por desobediência à justiça num caso de alegada discriminação racial na aplicação da lei, mas acaba por ter a honra de ser o primeiro a receber o indulto presidencial desde que Donald Trump assumiu em janeiro a Casa Branca.

Arpaio liderou as forças policiais de Maricopa entre 1993 e novembro do ano passado, quando perdeu as eleições para continuar como xerife local para o democrata Paul Penzone. Ao longo de mais de duas décadas, o antigo xerife revelou mão pesada, em particular contra os imigrantes.


Após a abertura pelo Departamento de Justiça norte-americano de uma investigação a várias queixas contra o xerife por supostamente violar os direitos civis dos latinos, em 2011, a justiça ordenou que abandonasse a prática de deter pessoas por razões raciais, mas o controverso xerife não acatou a ordem.

Uma juíza abriu, em 2015, um processo por desobediência contra Arpaio e, em julho do ano passado, o antigo xerife foi condenado.

Arpaio tinha a leitura da sentença agendada para cinco de outubro e incorria numa pena de até seis meses de prisão.


Em comunicado, Donald Trump alegou que o xerife Arpaio “tem 85 anos e mais de 50 de admirável serviço à nação”. “Merece o perdão presidencial”, decretou o Presidente depois de já ter antecipado o indulto a Arpaio num comício realizado quinta-feira em Phoenix.

Já depois da confirmação do perdão, o antigo xerife agradeceu ao presidente pelas redes sociais ter posto um ponto final no que considerava ser “uma caça às bruxas de motivação política pelos sobreviventes do departamento de justiça de Obama.”


Em entrevista ao jornal Arizona Republic, Arpaio expressou a vontade de voltar à política.

“Tinha dito à minha mulher que a política estava arrumada, mas agora decidi que ainda não por causa do que se passou. Eu não pedi o perdão. Não tem nada a ver com o perdão. Já o digo há alguns meses: ainda tenho muito para dar”, afirmou o antigo xerife, prometendo uma conferência de imprensa para a próxima semana para denunciar o “abuso” do sistema judicial.

Este primeiro perdão presidencial de Donald Trump promete, no entanto, gerar uma nova “guerra” política nos Estados Unidos e não só com a oposição democrata. O próprio governador do Arizona, o também republicano John McCain, considera que este indulto “coloca em causa” os próprios apelos do Presidente ao respeito pela lei “porque o senhor Arpaio nunca revelou quaisquer remorsos pelas ações cometidas.”