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Esponjas Marinhas absorvem a atenção dos cientistas


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Esponjas Marinhas absorvem a atenção dos cientistas

Dos fiordes noruegueses até às montanhas do mar Ártico. O Programa Futuris juntou-se a uma expedição internacional que está a estudar um organismo relativamente simples que desempenha um papel bastante complexo nos ecossistemas oceânicos.

O “G.O.Sars” é um dos navios de investigação mais avançados. Durante três semanas é a casa de uma equipa diversificada de cientistas, a trabalhar num projeto de investigação europeu para estudar as esponjas marinhas. É utilizado um robô subaquático para encontrar as espécies de esponja a vários quilómetros de profundidade.

Hans Tore Rapp, coordenador do projeto SponGES, e investigador em biodiversidade marinha na Universidade de Bergen explica: “Temos bastante informação sobre esponjas em ecossistemas de recifes de corais, por exemplo. Mas as esponjas de águas profundas ainda estão pouco exploradas. Temos uma ideia sobre onde as encontrar e sobre a sua diversidade, mas o seu funcionamento é mais ou menos desconhecido”.

O trabalho de investigação continua dia e noite. As esponjas são estudadas nos laboratórios de bordo. Alguns dos organismos são dissecados e preservados para um estudo posterior: as esponjas produzem compostos químicos valiosos que podem ser usados em produtos cosméticos e farmacêuticos.

“Muitas espécies possuem propriedades anti-bacterianas, anti-fúngicas ou anticancerígenas. Mas sobre essas espécies ainda não sabemos nada. É por isso que estamos interessados em estudá-las”, acrecenta Vasiliki Koutsouveli, bióloga marinha do Museu de História Natural de Londres.

Outras esponjas são mantidas vivas em aquários especiais para examinar os seus processos de alimentação. Ao filtrar a água do mar através dos poros, estes animais primitivos reciclam o lixo e produzem nutrientes para outros organismos marinhos.

Martijn Bart da Universidade de Amesterdão adianta: “A experiência mostra a importância das esponjas para todo o oceano. Porque se mostrar-mos o que elas removem da água podemos saber qual o tipo de lixo que vai ficar acumulado no oceano se as esponjas desaparecerem”.

Esta expedição descobriu várias espécies de esponjas novas. Aproximadamente 8 mil já são conhecidas – variam de alguns centímetros até mais de um metro de comprimento. Mas mais do dobro das espécies de esponjas ainda não foram identificadas. O papel que desempenham na manutenção de todo o ecossistema marinho é ainda um mistério a ser explorado.

“O nosso projeto está focado no Atlântico Norte. É um grande oceano, mas comparado com o planeta Terra é bastante pequeno. Apesar de dedicarmos muito esforço a este trabalho, estamos apenas a ver a ponta do iceberg. Há muita ciência fundamental para fazer. É um processo caro, demorado, mas tem de ser feito”, conclui Hans Tore Rapp.

As esponjas vivem no oceano há milhões de anos. Compreender melhor estas frágeis criaturas é fundamental para as preservar e para as proteger no futuro.

Mais info: www.deepseasponges.org

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