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Bell Pottinger contesta acusações do DA no caso Guptaleaks

Oposição na África do Sul acusou a agência de campanha racista para favorecer o presidente.

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Bell Pottinger contesta acusações do DA no caso Guptaleaks

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A conhecida agência de comunicação estratégica e relações públicas britânica, a Bell Pottinger, decidiu apelar da decisão da entidade reguladora do setor no Reino Unido, que considera a empresa responsável pelo aumento das tensões raciais na África do Sul.

A Associação de Empresas de Relações Públicas e Comunicação (PRCA, sigla em língua inglesa), deu razão ao principal partido da oposição na África do Sul, a Aliança Democrática (DA, sigla em língua inglesa), que acusa a agência de ter concebido uma campanha mediática para favorecer o atual presidente Jacob Zuma, aproveitando-se do passado racial do país.




O DA apresentou acusou a Bell Pottinger de ter criado o conceito de “agente do capital branco” nas redes sociais e nos media sul-africanos. Várias personalidades críticas do presidente Zuma (ANC, no poder desde 1994), foram associadas ao termo, que acabou por ser motivo de tensões entre as diferentes comunidades no país, com pouco mais de 50 milhões de habitantes.

Um apartheid económico na nova África do Sul

Depois do fim do sistema de governo racial, o chamado apartheid, durante o qual a minoria branca garantiu, de forma legalmente codificada, a supremacia sobre os diferentes grupos étnicos, durante quase 50 anos, as desigualdades sociais persistem na maior economia africana.

Muitos falam na permanência de um apartheid económico, já que a maioria branca, apesar de ter perdido oficialmente todos os privilégios associados à antiga forma de governo, continua com o controlo das grandes empresas do setor privado e com a maioria das propriedades – o que tem provocado um sentimento de frustração crescente na maioria negra.

Caso a queixa do DA seja levada pela PRCA até às últimas consequências, a Bell Pottinger poderia perder o estatuto de membro daquela associação profissional, o que poderia trazer vários problemas à agência, nomeadamente a perda de contratos milionários.

Desculpas da Bell Pottinger não foram suficientes

Em julho passado, a Bell Pottinger despediu uma associada, responsável pelas campanhas de relações públicas na África do Sul. Segundo a agência, a responsável terá levado a cabo campanhas de forma inapropriada e insensível no país com um “passado racial conturbado”.

A Bell Pottinger apresentou depois as desculpas ao país, o que, para vários partidos da oposição, não foi suficiente, entre os quais, o DA e os Guerreiros pela Liberdade Económica (EFF, sigla em língua inglesa).

Com AFP e EWN