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Buthaina: símbolo de conflito

Bouthaina foi a única sobrevivente de um bombardeamento que a privou de toda a família. A foto dela tornou-se um símbolo nas redes sociais.

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Buthaina: símbolo de conflito

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Bouthaina Mansour al-Rimi, 4 anos, foi a única sobrevivente de um bombardeamento em Sanaa, capital do Iémen, onde viu morrer toda a família, segundo a Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Dois edifícios aniquilados, num dos quais estava a casa onde vivia, 14 pessoas mortas, das quais 5 crianças: é o balanço do dia 25 de Agosto de 2017 na vida de Bouthaina.

A coligação saudita que bombardeou o edifício onde estava Bouthaina, reconheceu ter atingido alvos civis por erro técnico. Meritxel Relano, representante da UNICEF no Iémen dá os dados recolhidos pela missão no terreno:
“Desde o início da escalada do conflito em 2017, verificámos a morte de mais de mil e setecentas crianças e mais de duas mil e setecentas outras ficaram gravemente feridas e incapacitadas. Para estas crianças que foram atingidas, há um impacto para o resto das vidas delas.”


No hospital com fracturas cranianas, Bouthaina resiste. A fotografia de Karim Zareïem, fotógrafa em cenário de conflito, em que, a todo o custo, tenta abrir o entumecido olho direito com os dedos abre agora os olhos do mundo, pelo menos o das redes sociais.



Bouthaina é símbolo de cerca de 8 mil e 300 civis mortos, muitos deles crianças, e mais de 40 mil feridos desde que a Arábia Saudita lançou a campanha contra os Hutus, em março 2015, em coligação com outros 9 países árabes sunitas. Esta coligação lançou ataques aéreos sobre posições de rebeldes hutus, aliados ao antigo presidente do país. O conflito no Iémen, localizado no extremo sudoeste da Península Arábica, causou uma epidemia de cólera que fez mais de dois milhares de mortos e cerca de 7 milhões de pessoas estão amea4adas pelo risco de fome em todo o país.


Num abaixo-assinado que inclui 62 organizações não-governamentais de defesa de direitos humanos, apela-se à criação de uma comissão de inquérito independente sobre os abusos cometidos desde o início do conflito. Segundo o apelo, dirigido aos representantes dos Estados membros permanentes e observadores do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, “o Iémen conhece hoje a maior crise humanitária do mundo.”