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Conservadores ortodoxos lançam campanha contra filme russo "Matilda"

Igreja Ortodoxa argumenta que o filme "Matilda" é um insulto contra a História da Rússia e contra o último Czar.

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Conservadores ortodoxos lançam campanha contra filme russo "Matilda"

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As autoridades religiosas da Federação Russa lançaram uma campanha de protesto para bloquear o lançamento de um filme que fala de uma relação entre uma jovem bailarina e o último dos czares, considerado como um mártir pela Igreja Ortodoxa.

Foram organizadas manifestações nas principais cidades russas. figuras de destaque no seio da hierarquia eclesiástica apelaram ao cancelamento da estreira. De acordo com o realizador, citado pela agência Reuters, algumas salas de cinema do país foram alvo de ameaças de parte de ativistas.

Espera-se que a estreia mundial de Matilda, de Alexei Uchitel, tenha lugar no próximo mês de outubro. O filme conta a história do romance entre Nicolau II, antes de aceder ao trono e a bailarina Matilda Kshesinskaya. A história baseia-se nas memórias da bailarina.

Ameaças do “Estado Cristão” à distribuidora russa de Matilda

Segundo o realizador, a distribuidora Karo recebeu uma carta do grupo radical Ortodoxo Estado Cristão em protesto pela estreia do filme. A Karo optou por não fazer qualquer comentário sobre o assunto.

Na página oficial do grupo, pode ler-se que o filme era “um insulto à História da Rússia” e que poderia levar as pessoas “a cometerem atos de violência”, tal como “pegar fogo aos cinemas”.

Pressões sobre a liberdade artística por setores conservadores

Esta segunda-feira, dois veículos parados em frente aos escritórios dos advogados do realizador de Matilda foram incenciados. De acordo com um dos representantes legais de Uchitel, foram também lançadas brochuras nas quais podia ler-se “Incendiado por causa de Matilda”.

Na semana passada, um desconhecido lançou bombas de gás à entrada de um cinema, na localidade de Yekaterinburg, onde revolucionários bolcheviques executaram o Czar e a sua família. O cinema, que acabou por ser consumido pelas chamas, tinha acolhido im festival, cujo organizador é um conhecido apoiante de Uchitel.

No mês de agosto, o edifício que alberga os estúdios de Uchitel, em São Peterburgo, foi alvo de uma tentativa de fogo posto. Apesar de apenas terem sido registados alguns danos, a situação criou alarme o pessoal da empresa.

Vários artistas russos denunciam o que definem como uma tendência para a limitação da liberdade de expressão da parte da comunidade de conservadores culturais, cuja influência tem crescido graças ao presidente da Federação, Vladimir Putin.

Ainda assim, o vice-ministro da cultura, Vladimir Aristarkhov, elogiou o filme e pediu o fim das pressões sobre todos os que contribuiram para a sua produção. Alexei Uchitel disse mesmo que, da parte do ministério Federal da Cultura, não tinha recebido mais do que apoio.

Com Reuters