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Juncker sobre as comunidades muçulmanas na Europa

Presidente da Comissão disse à Euronews que aceitava o método halal de abate de animais e que as mulheres que utilizam véu não deveriam ser discriminadas.

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Juncker sobre as comunidades muçulmanas na Europa

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Jean-Claude Juncker disse, durante a entrevista com a Euronews em #AskJuncker, que o método de abate de animais específico das comunidades muçulmanas, conhecido como zibh, única forma que permite a existência de produtos halal, deveria ser permitida na União Europeia, apesar das suas reservas pessoas a respeito do tema.

O processo em causa engloba várias condições referentes não só à forma do abate, mas também ao tratamento do animal depois do processo, assim como em relação à pessoa que abaterá o animal.

Foi durante a entrevista, em Bruxelas, que o presidente da Comissão deu a conhecer as suas opiniões em temas fundamentais que afetam a comunidade muçulmana residente nos diferentes Estados membros da União Europeia.

Um dos Youtubers convidados para entrevistar o presidente Juncker, Abdel en Vrai, perguntou o que pensava este acerca das leis em virgor nos diferentes países europeus acerca da forma de abate específica para os produtos halal.




Segundo Vrai, apesar das leis europeias, que autorizam a liberdade de prática religiosa, os centros onde os abates halal são levados a cabo têm sido perseguidos e alguns mesmo fechados. Na Bélgica, explicou, os muçulmanos foram probidos de realizar algumas das suas tradições nesse sentido, este ano.

“Por um lado, dizem que é proibido fazê-lo em casa por razões de higiene, algo que eu entendo”, disse o Youtuber, mas há poucos locais de abate disponíveis para a comunidade muçulmana para que esta possa fazer as coisas de acordo com a sua religião​.

Jean-Claude Juncker explicou que, depois de um debate que teve lugar no ano passado, precisamente na Bélgica, tinha entendido que o país iria permitir que fossem construídos locais adequados para as pessoas expressarem a sua fé​ e seguirem as suas tradições.

Juncker explicou ainda que, para ele, o bem-estar animal era particularmente importante, mas que todas as leis europeias acerca do abate de animais deveriam ser acatadas. “Não sou um fã, mas temos de respeitar as tradições das diferentes comunidades religiosas”, explicou o presidente da CE.

Acerca da possibilidade de que aqueles que não cumpram com as leis europeias na matéria venham a ser julgados, Juncker disse que não tinha pensado nisso, mas que iria analisar a situação.

Uma tradição judaica e muçulmana

Tanto a tradição muçulmana como a judia observam a tradição, plasmada em documentos sagrados, que definem a forma como deve ser abatido um animal, que implica o uso de uma faca e rejeita qualquer outro método de abate.

No entanto, os opositores dos métodos Halal ou Kosher criticam o processo por considerarem que é demasiado cruel para o animal.

A questão do véu nas sociedades europeias

Sobre a discriminação da que se queixam algumas crentes muçulmanas que utilizam algum tipo de véu na Europa, seja no acesso ao ensino, seja no mundo do trabalho, Juncker explicou que não queria que existissem cidadãs de segunda classe:

“Não queremos mulheres de segunda classe na Europa só porque usam um véu”, disse o luxemburguês.

“Não entendo como a utilização de um véu poderia ofender a religião de ninguém nem como poderia ser um impedimento para alguém trabalhar num escritório ou numa fábrica”, continuou, explicando que o problema existe quando as mulheres desejam cobrir-se da cabeça aos pés, como “no caso da burca”.

O presidente da Comissão Europeia disse ainda que qualquer mulher que se sentisse alvo de discriminação por causa do uso do véu deveria levar o caso aos tribunais.