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Os pobres da maior economia da Europa

A discrepância entre ricos e pobres está a animar a campanha eleitoral na Alemanha. Muitos continuam a viver mal à sombra da maior economia da Europa

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Os pobres da maior economia da Europa

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Ser pobre num país rico é algo a que muitos estão habituados, sobretudo, na região de Ruhr, no oeste da Alemanha. Os trabalhadores afetados pelo encerramento de minas continuam à espera de soluções e dizem desconhecer os efeitos práticos das políticas de Angela Merkel.

Na contagem decrescente para as eleições gerais, o SPD lembra que “É tempo para mais justiça.” Um slogan de campanha que encontra eco em vários eleitores. “Sim, penso que Martin Schulz tem razão quando diz que temos de abolir as diferenças. Temos de olhar mais pelos que têm menos (na vida). Não concordo quando Angela Merkel diz que todos gostam de viver na Alemanha e que estão bem. A Alemanha é um país lindo, mas nem todos vivem bem” afirma uma alemã.

Viver bem passa, muitas vezes, por encontrar um emprego num país a duas velocidades. O desemprego de longa duração e o mercado de trabalho temporário coexistem num país onde o número de milionários aumenta de dia para dia e a baixa taxa de desemprego continua a alimentar as primeiras páginas da imprensa europeia.

O fosso entre os salários mais altos e os mais baixos na Alemanha tende a ser cada vez maior, uma vez que a atualização é mais lenta para os que ganham menos. Uma situação que a Fundação Hans Böckler quer alterar com a ajuda dos sindicatos e dos alemães com mais recursos

“Precisamos de taxar as heranças e do um imposto sobre a riqueza porque é a única forma de chegarmos às grandes fortunas que, neste momento, estão concentradas nas mãos de uma minoria” refere Gustav Horn, da Fundação Hans Böckler.

Um argumento que não convence o presidente do Instituto de Investigação Económica alemão. “O imposto sobre a fortuna não é a melhor opção porque levaria as pessoas com ativos e que, normalmente, têm empresas a mudar-se para outro país. A experiência mostra que se fizer isso e aumentar o salário mínimo, a taxa de desemprego aumenta, mas o fosso entre ricos e pobres não diminui. Isso poderia ser conseguido com um imposto sobre as propriedades, mas os políticos não se atrevem porque temem a contestação dos proprietários” defende Clemens Fuest.

Para muitos a solução passa por uma maior aposta na educação, num país onde o nome da família continua a ser determinante para o sucesso profissional.