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Até onde pode chegar a AfD?

A retórica deste partido tem vindo a tornar-se cada vez mais anti-Islão. A postura contra a entrada de refugiados tem-lhe valido mais eleitores.

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Até onde pode chegar a AfD?

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Há um partido que está a centrar as atenções nas eleições parlamentares alemãs. E esse partido chama-se AfD ou Alternativa para a Alemanha. O movimento nasceu em 2013, apresentando-se como conservador, eurocético e posicionando-se à direita dos cristãos-democratas de Angela Merkel.

Alexander Gauland, juntamente com Alice Weidel, integra a corrida para o parlamento alemão. Numa das frases mais controversas que se lhe conhece, afirma-se orgulhoso dos “feitos” alcançados pelos soldados alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Outro responsável, Björn Höcke, dirigente da AfD no Estado da Turíngia, apelidou o Memorial do Holocausto em Berlim de “memorial da vergonha”.

No seu programa eleitoral, o partido exige o encerramento imediato das fronteiras para travar a imigração. Desde que a crise dos refugiados começou, a sua retórica tem vindo a tornar-se cada vez mais anti-Islão. A postura contra a entrada de refugiados tem-lhe valido mais eleitores.

Segundo Timo Lochoki, do Fundo Marshall Alemão, “o problema dos refugiados já não é uma questão para os partidos alemães, mas sim para os eleitores alemães. Os eleitores estão à procura de um partido que consiga enfrentar o problema e que leve a sério as inquietações que existem”.

Após o seu surgimento, a AfD começou por opor-se às iniciativas da chanceler para salvar o euro. Em 2014, conseguiu entrar em várias assembleias regionais, assim como no Parlamento Europeu. Depois veio uma viragem ainda mais à direita que cativou mais seguidores.

Mas não é só isso. De acordo com os estudos efetuados pela Fundação Hans-Böckler, a insatisfação geral dos cidadãos desempenha um papel fundamental na equação, assentando no sentimento de perda de controlo do que se passa à volta e de abandono por parte dos políticos.

Segundo os analistas, o eleitorado da AfD reparte-se em duas fações muito distintas: uma maioritariamente masculina, da classe média-baixa; e outra que integra ambos os géneros, da classe média-alta e com percursos escolares sólidos.

Juntos podem fazer com que a AfD se torne na terceira força política do Bundestag.