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Angola já tem novo presidente

João Lourenço já tomou posse como novo chefe de Estado de Angola. A cerimónia decorreu esta manhã, em Luanda.

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Angola já tem novo presidente

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(Atualizada)

João Lourenço já é, oficialmente, o novo presidente de Angola. A cerimónia de investidura, orientada pelo juiz conselheiro presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, decorreu ao início da tarde, em Luanda, perante cerca de 30 mil pessoas. Era 12h10, aproximadamente, quando João Lourenço prestou juramento, com a mão direita sobre a Constituição da República de Angola e assinando, depois, o termo de posse. O novo chefe de Estado angolano recebeu depois, das mãos do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, o colar presidencial.

A cerimónia terminou com 21 salvas de canhão, precedidas da entoação do hino de Angola e do desfile dos três ramos das Forças Armadas Angolanas.

O novo presidente tem grandes desafios pela frente já que o país vive uma grave crise económica e social. No seu discurso de investidura falou em “manter o que está bem e corrigir o que está mal”. Frisou que um dos seus maiores objetivos é a descentralização do poder e da economia e a aposta nos jovens, ou seja no futuro, “por uma Angola cada vez mais competitiva”, afirmou. João Lourenço disse ainda que o seu executivo tentará “eliminar a corrupção que ameaça a sociedade” angolana.

João Lourenço, que venceu o escrutínio presidencial com 61% dos votos, inicia o seu mandato de cinco anos à frente dos destinos do país, esta terça-feira. Já José Eduardo dos Santos permanece como líder do MPLA até, pelo menos, 2018.

A guerra de palavras entre Luanda e Lisboa em dia de festa

Ainda que o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, tenha preferido dar ênfase à ovação dada a Portugal – que “foi de longe a maior”, disse – na cerimónia de investidura do novo chefe de Estado angolano, antevendo relações “muito boas”, entre Angola e Portugal, a verdade é que as crispações entre os dois países são visíveis.

O novo Presidente angolano, no seu discurso, deixou de fora Portugal, quando falou dos seus principais parceiros:

“Angola dará primazia a importantes parceiros, tais como Estados Unidos da América, República Popular da China, a Federação Russa, a República Federativa do Brasil, a Índia, o Japão, a Alemanha, a Espanha, a Franca, a Itália, o Reino Unido, a Coreia do Sul e outros parceiros, não menos importantes, desde que respeitem a nossa Soberania”, afirmou João Lourenço.

Marcelo Rebelo de Sousa foi o único chefe de Estado europeu a estar presente na tomada de posse de João Lourenço. Segunda-feira, dia em que chegou a Luanda, chegou mesmo a estar reunido, menos de meia-hora, com José Eduardo dos Santos, que deixou o poder em Angola ao fim de 38 anos. No final do encontro destacava a “aproximação” entre Portugal e Angola, fomentada por Eduardo dos Santos, mesmo apesar das divergências pontuais.


Horas depois da “festa” o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmava ter recebido “uma nota verbal”, do Ministério das Relações Exteriores de Angola, que o jornal i noticiava ser de repúdio ao governo português, e ligada à constituição como arguido, por corrupção ativa, do ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente.

As autoridades angolanas, que dizem que o antigo governante tem imunidade e, como tal, apenas tem de responder perante a justiça do seu país, acusam “as autoridades portuguesas” de seguirem “uma via, manifestamente, política que se traduz num ato inamistoso, incompatível com o espírito e a letra de relações iguais, as únicas que podem pautar o desenvolvimento da amizade e cooperação entre os dois Estados soberanos que se respeitam mutuamente”.

Sobre a nota, fonte oficial do Palácio das Necessidades, disse apenas que a resposta portuguesa acontecerá “no prazo devido”.

Os laços que unem Angola a Cabo Verde

O presidente de Cabo Verde foi um dos chefes de Estado presentes na cerimónia, No final, Jorge Carlos Fonseca, afirmou aos jornalistas que Angola tem condições para acelerar o progresso económico, social e cultural, para atingir “os patamares que aspira e a que tem direito”. Sobre o discurso do seu homólogo, considerou-o muito positivo e construtivo:

“Traçou as grandes linhas de ação do próximo Governo de Angola, seja do ponto de vista interno, seja do ponto de vista externo. Nós, como Cabo Verde, auguro que o país possa ter condições para acelerar o progresso económico, social e cultural, para que Angola atinja os patamares que aspira e a que tem direito”, referiu o presidente cabo-verdiano.

Jorge Carlos Fonseca espera que Angola consolide as relações de cooperação com os países com os quais tem uma relação de proximidade, não apenas física:

“Somos países irmãos, há um grande laço histórico e cultural entre os dois países, partilhamos a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), os PALOP (Países Africanos de Língua Portuguesa), a UA (União Africana), e sobretudo há uma identidade e uma cumplicidade humanas muito fortes, que se traduzem, por exemplo, numa vasta comunidade cabo-verdiana aqui em Angola”.

União Europeia acredita no compromisso angolano

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou esta segunda-feira, em comunicado, que a forma como decorreu o processo eleitoral em Angola é um “sinal claro” do compromisso do país para com a democracia. Mogherini adiantou ainda que a UE “está disponível para apoiar futuros processos eleitorais, nomeadamente, no acesso equitativo aos media e na reforma da legislação eleitoral, em linha com os princípios internacionais de abrangência e transparência”.