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O supermercado que vende o que os outros deitam fora

O Sirplus tem um modelo único que diz ser ideal para o meio ambiente e para os consumidores.

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O supermercado que vende o que os outros deitam fora

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Imagine-se a passear numa das principais ruas do bairro de Charlottenburg, em Berlim. Entra num supermercado chamado SirPlus. Escolhe alguns produtos das prateleiras e paga muito menos do que num supermercado convencional. Qual será o segredo?

O segredo é que os produtos estavam prestes a ser deitados ao lixo. É este o conceito por detrás do supermercado SirPlus: a loja compra os alimentos excedentes dos supermercados que, de outra forma, seriam deitados fora e vende-os com um grande desconto – entre 30 e 70% do preço normal.

Raphael Fellmer, Martin Schott e Alexander Piutti fundaram o SirPlus através de uma campanha de crowd-funding no valor de 100 mil euros e de um empréstimo considerável de um investidor – um “business angel”.
“É uma situação em que todos saem a ganhar”, diz Fellmer. É também um projeto ético: se já não é possível vender os alimentos, mas ainda são comestíveis há que arranjar forma de os consumir.

Trata-se de uma extensão natural do movimento de partilha de alimentos. O movimento faz a ligação entre voluntários individuais e pequenas empresas que têm excedentes, para reduzir o desperdício.

O problema do desperdício de alimentos não é novo, mas está a aumentar: a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação informa que perto de um terço de todos os alimentos produzidos estragam-se ou são deitados fora antes de serem consumidos. Na UE, cerca de 88 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os anos. “Se o desperdício de alimentos fosse um país, seria o terceiro maior emissor de CO2 do mundo, depois da China e dos EUA”, diz Fellmer.

Stephanie Wunder é membro do Ecologic Institute. Segundo ela, embora empresas como a SirPlus sejam ótimas para aumentar a consciencialização sobre o desperdício de alimentos não estão a lidar diretamente com as causas deste desperdício. “Iniciativas como o SirPlus começam na última parte da cadeia de fornecimento de alimentos – governos e cadeias comerciais não pagam nada por iniciativas como esta”, diz . “Seria fácil para os supermercados doarem a comida, até a poderiam vender, mas é algo que custa tempo e dinheiro. Desta forma o SirPlus resolve o problema gratuitamente”.

Até que as cadeias de supermercados assumam a responsabilidade pelo desperdício de alimentos, o futuro do SirPlus promete. A equipa está à procura de um novo investidor para conseguir abrir novas lojas e implementar um sistema de Franchising.