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Catalães divididos com referendo

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Catalães divididos com referendo

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O Rei Felipe VI saiu do habitual silêncio político a que se remete a Casa Real espanhola num indício claro da cisão provocada pelo referendo sobre a independência catalã do passado um de outubro. Depois da opção do primeiro-ministro Rajoy de deslocar forças policiais para a região autónoma e de as fazer actuar sobre meios e pessoas para impedir a votação, o discurso do Rei não caiu bem, a valiar pelos depoimentos colhidos nas ruas de Barcelona:

“Sei que muita gente confiava na mediação do Rei, mas nunca imaginei que ele defendesse esta brutalidade, decepcionou-me.”, diz uma transeunte. Outra opinião reforça o hermetismo do discurso do Rei face aos acontecimentos durante o referendo: “O Rei não falou de feridos, nem dos dois milhões de pessoas que saem às ruas há seis anos nem em referendo. Três palavras que não apareceram no discurso.”

E se a brutalidade que correu mundo é um dado novo, dois milhões de votos continuam a não traduzir a vontade de mais de 5 milhões: “Acho que o governo catalão não representa todos os catalães, pelo contrário, apenas uma percentagem. E também manipularam o povo, ao organizar manifestações públicas. Acho que deviam pensar.” Outra opinião na rua reflete o empolamento de uma vontade política: “Penso que se perdeu o sentido crítico, nos partidos pro-independência. Eu sou independentista mas não creio que se tenham feito bem as coisas.”

Em Madrid, onde o referendo tem oposição garantida desde a primeira hora, com Rajoy a declarar que não se realizaria, a opinião na rua parece preferir uma Espanha com a Catalunha incluída no mapa nacional:

“Acho que este tipo de separatismo é ridículo, hoje em dia no século XXI. Não percebo, acho estúpido”, diz uma residente de Madrid. Outra acresce o argumento de fundo da inconstitucionalidade: “É anticonstitucional e o primeiro-ministro fará tudo ao seu alcance para evitar a independência. Acho que não vai avançar, que tudo vai ficar na mesma.”

Carles Puigdemont já disse que a independência vai ser declarada a Espanha.

Segunda-feira está marcada uma sessão parlamentar regional na Catalunha para o efeito.