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60 mil professores primários em greve na Holanda

Docentes exigem mais reconhecimento, melhores salários e condições de trabalho para que possam providenciar uma melhor educação às crianças

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60 mil professores primários em greve na Holanda

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Mais de 60.000 professores primários fizeram esta quinta-feira a segunda greve geral do setor na Holanda desde a década de 80. O protesto obrigou muitas famílias a encontrar alternativas de última hora para as várias centenas de milhar de crianças que ficaram sem aulas.

Os docentes reclamam a baixa progressão salarial numa das melhores economias da zona euro e exigem um investimento de 1,4 mil milhões de euros no setor, com um maior equilíbrio em relação aos homólogos do ensino secundário cujo salário será cerca de mil euros mensais mais alto.


Além da melhoria salarial, os professores esperam também que o Governo invista na melhoria das condições de trabalho, nomeadamente na contratação de mais professores e de auxiliares educativos para que possa ser dada a atenção devida em salas onde muitas vezes, dizem, há mais de 30 crianças.

O governo já terá prometido ajudar e numa tentativa de evitar a paralisação desta quinta-feira terão reforçado o pacote de investimento previsto para o ensino primário de 250 milhões para os 800 milhões de euros. Insuficiente, garantem os sindicatos.

“Durante anos, temos sido mal pagos pelo grande trabalho que fazemos. Recebemos amendoins e somos comparados com a Coreia, o Japão ou a China? então vão para lá viver. É por isso que estou aqui hoje e, se for preciso, voltarei outra vez”, ameaça uma das professoras insatisfeitas, Beie Pompert.

Outra, de apelido Geertje, sublinha que “a pressão no trabalho é demasiada”. “Além da sala de aula temos ainda trabalho administrativo, falar com os pais e grupos de trabalho. No final, os miúdos não recebem o que merecem e isso é mau”, lamenta.

Os professores primários holandeses ameaçam voltar à greve em novembro, com dois dias de paralisação, caso o Governo não aceda às exigências do setor.