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Catalunha: O atribulado caminho para a independência

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Catalunha: O atribulado caminho para a independência

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Pela força ou pela lei, Madrid voltou hoje a exigir à Catalunha que renuncie ao projeto de independência. Depois do envio de milhares de agentes da Polícia Nacional e da Guardia Civil para o território, sob ordem da Justiça, durante o referendo de domingo, o governo espanhol tem outras possibilidades em cima da mesa, da suspensão da autonomia à abertura de processos contra altos cargos catalães.

O chefe da polícia regional incorre numa pena de até 15 anos de prisão por desobediência. O ministro do Interior espanhol tinha ontem acusado o líder do governo autonómico de incitar a população à rebelião.
Carlos Puigdemont, por seu lado, repete nos últimos dias os avisos a Madrid para que não ouse recorrer à polícia para deter responsáveis do executivo, como aconteceu no final de Setembro, quando 14 funcionários do governo regional tinham sido presos em Barcelona.

A lei do referendo catalão prevê a proclamação de independência no parlamento, 48 horas após a publicação dos resultados que, apesar da alegada vitória do SIM, ainda não são conhecidos.

Para já, é através da lei que Madrid afirma querer atuar, nomeadamente no quadro do Tribunal Constitucional depois do governo de Mariano Rajoy ter rejeitado qualquer possibilidade de mediação do conflito. A instituição ordenou esta quinta-feira a suspensão, com efeito imediato, da sessão do parlamento catalão prevista para a próxima segunda-feira e durante a qual poderia ser proclamada a independência. Uma decisão que, na prática, invalida a legalidade de qualquer decisão tomada no hemiciclo.

Mas Barcelona garante que não vai recuar e está pronta a resistir, o que poderia levar o governo central a decretar uma “situação de emergência”, à luz de uma lei de segurança pública aprovada em 2015. A medida poderia, por exemplo, ser acompanhada do envio de militares para o território – oficialmente para dar “apoio logístico” às forças da ordem – com Madrid a assumir o comando direto da polícia autonómica.

Um gesto de força que, no entanto, poderia inflamar ainda mais a tensão quando 80% dos catalães afirmavam estar a favor de um voto e mais de 3 milhões se manifestaram, na terça-feira, contra a violência policial.