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Tensão a duas semanas das presidenciais quenianas

Principal partido da oposição exige reforma da lei eleitoral e recusa participar no escrutínio.

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Tensão a duas semanas das presidenciais quenianas

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No Quénia, agravou-se a crise política depois de decisões da Justiça e do parlamento no sentido de permitir que o presidente Kenyatta sirva um segundo mandato como presidente, depois de o principal rival ter desistido de participar numa eleições a realizar dia 26 deste mês de outubro.

Uhuru Kenyatta e Raila Odinga foram os dois candidatos mais votados nas últimas eleições, mas o Supremo Tribunal do Quénia decidiu que as eleições eram inválidas, alegando irreguladidades em todo o processo.

Uma vez decidida uma nova data para as eleições, Raila Odinga acabou por desistir de participar, deixando o processo mergulhado na incerteza. Entretanto, o parlamento aprovou, sob o protesto da oposição, uma lei que permite que, no caso de desistência de um dos candidatos, o candidato restante seja declarado vencedor.

A Justiça aprovou, por outro lado, uma petição para que um dos candidatos, que conseguiu menos de um por cento nas últimas eleições, pudesse participar neste segundo escrutínio.

Ondinga diz que eleições não seriam “livres nem justas”

Para Odinga, as eleições não seriam livres nem justas, pelo que, disse, não valeria a pena participar, culpando a comissão eleitoral (IEBC, sigla em língua inglesa) pelas irregularidades encontradas no primeiro escrutínio.

Nas ruas, a oposição envolveu-se em confrontos com as autoridades e exigiu uma reforma da lei eleitoral. Os protestos concentraram-se em Kisumu, um bastião de Odinga, no oeste do país, e na capital.

Em Nairobi, cerca de um milhar de pessoas marcharam no centro da cidade. Segundo testemunhas citadas pela agência Reuters, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em ambos os casos.

Pelo menos 37 pessoas morreram nos protestos que se seguiram às eleições de agosto passado, muitas das quais, às mãos da polícia. Os confrontos tiveram lugar dez anos depois dos violentos choques entre polícia e manifestantes depois das presidenciais de 2007 que deixaram cerca de 1200 mortos.

Com Reuters