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Tensão migratória mantém-se sobre Calais

A destruição do acampamanto improvisado de migrantes de Calais, há um ano, permitiu apaziguar um pouco a localidade. Mas a pressão migratória mantém-se e os problemas, embora de menor dimensão, persistem.

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Tensão migratória mantém-se sobre Calais

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Os migrantes que pretendem alcançar o Reino Unido continuam a afluir à localidade francesa de Calais, um ano depois do desmantelamento do acampamento improvisado que ficou conhecido como a “Selva”. O número dos que agora chegam é bastante inferior aos cerca de dez mil que se instalaram nas margens do canal da Mancha. Menos de mil migrantes deambulam pelas ruas de Calais, sem sítio para dormir, apesar da abertura de mais dois centros de acolhimento. Alguns queixam-se da ação policial.

“A polícia vem aqui todas as noites e tortura as pessoas, bate nas pessoas. Não é possível permanecer aqui. Eles lançam-nos spray nos olhos ou na cara” – acusa um jovem que recusou identificar-se.

Os casos de violência contra os migrantes, e entre eles, são recorrentes. Muitos residentes de Calais queixam-se também de estragos ou simplesmente do incómodo que continuam a representar, um ano depois.

“Não mudou nada. Eu tenho-os por aqui de manhã à noite. No domingo, estava aqui um grupo, todos de tronco nu, a divertir-se e a gritar como uns selvagens. De cervejas na mão… Porque eles bebem cervejas, cuidado porque eles estão alcoolizados, não é como dantes, na primeira vaga. Os primeiros a chegar eram pais de família, eram famílias inteiras, mantinham-se calmos e eram afáveis. Estes são uns miúdos, de 15 a 18, 20 anos no máximo” – explica uma residente.

O desmantelamento da “Selva” e o realojamento dos migrantes permitiu apaziguar a situação em Calais. Mas enquanto o Reino Unido continuar a atrair migrantes, a pressão sobre a localidade do norte de França vai manter-se.