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Aliança da oposição a desmoronar-se na Venezuela

Líder do Primeiro Justiça recusa manter-se na Mesa de Unidade Democrática se o líder da Ação Democrática continuar na coligação antichavista

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Aliança da oposição a desmoronar-se na Venezuela

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A coligação de oposição na Venezuela está a desmoronar-se após a aparente traição de quatro governadores eleitos pela aliança opositora do Presidente Nicolás Maduro.

A rutura da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que integra a Ação Democrática (AD), o Primeiro Justiça (PJ) e a Vontade Popular (VP), surge na sequência da decisão de quatro dos cinco governadores eleitos a 15 de outubro pela aliança da oposição terem decidido subjugar-se à controversa Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e terem cumprido o juramento para poderem tomar posse.

Um destes governadores, Laidy Gomes, da AD (foto em cima), explicou a decisão de jurar diante da Constituinte com a promessa feita pela defesa do povo, que “está a sofrer extremamente às mãos de um governo incompetente”, referiu numa declaração à imprensa.

“Eles baixaram a cabeça e traíram os eleitores. Falo por mim, não pelo meu partido. Se Ramos Allup (líder da AD) continuar na MUD, eu não continuo. O que aconteceu segunda-feira não tem justificação”, assumiu Henrique Capriles, líder do PJ, o partido cujo governador eleito no estado de Zulia, Juan Pablo Guanipa, recusou subjugar-se à Constituinte.


Capriles defendeu ainda que o até agora aliado Ramos Allup, da AD, seria “o candidato que agradaria ao governo de Nicolás Maduro nas presidenciais de 2018.”

O líder interino da VP, a outra força política da MUD, garantiu, entretanto, que o seu partido não irá participar nas eleições municipais previstas realizar até final deste ano, mas ainda sem data estabelecida.

“Na segunda-feira, eles disseram-nos que mesmo que ganhássemos as eleições municipais, os presidentes de câmara teriam de se ajoelhar diante da ANC. O Vontade Popular não vai participar nisso. O país quer votar, mas não quer ser uma ferramenta útil à ditadura”, afirmou Freddy Guevara, líder de partido enquanto Leopoldo Lopez se mantém em prisão domiciliária.


Três destes quatro novos governadores da oposição que se subjugaram à ANC foram recebidos terça-feira no palácio presidencial. Nicolás Maduro aproveitou o encontro para ratificar a entrega de recursos aos respetivos estados: Tchira (Laidy Gomes), Mérida (Rámon Guevara),Nueva Esparta (Alfredo Diaz) e Sira de Anzoátegui (Antonio Barreto).

Pouco depois, o líder da AD anunciou a “autoexclusão” dos quatro governadores das listas do partido.


Ramon Allup garante ter dado instruções aos camaradas eleitos para não se apresentarem no juramento de tomada de posse diante da ANC e que a desobediência tem como consequência automática a autoexclusão.


“Julgo que caíram numa emboscada, mas também compreendo o ponto de vista que os levou a proceder desta forma. Se não o fizessem, não seria possível assumirem a governação dos respetivos estados”, disse Allup, negando ter tentado convencer Juan Pablo Guanipa, o eleito pelo PJ em Zulia, em seguir os passos dos outros quatro eleitos pela oposição ao regime chavista de Nicolás Maduro.