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Animais em risco numa reserva natural UNESCO do Brasil

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Animais em risco numa reserva natural UNESCO do Brasil

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Há quase duas semanas que um forte incêndio arrasa o Parque Natural Chapada dos Veadeiros, uma reserva de Cerrado no nordeste do estado de Goiás, com cerca de dois mil milhões de anos e a segunda maior formação vegetal da América do Sul atrás da Amazónia.

Cerca de 64 mil hectares — mais de 25 por cento desta reserva brasileira considerada património natural da Humanidade pela UNESCO — já foram consumidos pelas chamas.



O fogo está a colocar em perigo diversas espécies animais. O diretor da reserva da Chapada dos Veadeiros sublinha a existência no parque de “lobos guarás, onças pintadas e veados”. “Vai registar-se certamente uma grande mortalidade entre os animais”, avisou Fernando Tatagiba.

Veterinários voluntários de Minas Gerais deslocaram-se para a Chapada dos Veadeiros para prestar assistência a animais feridos. Esta quinta-feira, o grupo de veterinários ainda não tinha encontrado carcaças de animais apanhados pelo fogo e ao jornal Globo explicaram também que o perigo para os animais não acaba com o controlo das chamas.

Os veterinários antecipam um período apelidado de “fome cinzenta”. “O impacto indirecto será os animais ficarem sem habitat nem alimentos. Podem vir a ser encontrados nas estradas ou até invadirem fazenas e serem mortos pelos proprietários”, advertiu Christian Berlink, do Instituo Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Não encontrámos aqui nenhuma fonte de água e muito menos de alimentação. Por isso, os animais deverão migrar para outros lugares ou até mesmo para as cidades”, acrescentou o veterinário Dreison Ferreira Guimarães.


O diretor do parque Chapada dos Veadeiros levantou há alguns dias as suspeitas de fogo posto na origem deste incêndio e dos estranhos reacendimentos quando o fogo já parecia controlado.

O ministro do Ambiente, Marcelo Cruz, pediu ao ministério da Justiça o apoio da Polícia Federal para ajudar as polícias civis e ambiental na investigação do caso.

Presume-se que um dos motivos do fogo posto seja a “retaliação pela recente ampliação da reserva natural, implementada em julho”, lê-se na página de internet da Associação O ECO, uma organização não-governamental brasileira dedicada à difusão de notícias sobre o meio ambiente.

O regresso da chuva é esperada esta sexta-feira e deverá intensificar-se na região durante o fim de semana.