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O testemunho de quem arriscou a vida para chegar à Europa

Milhares de migrantes chegam à ilha de Lesbos, esta é a história de um deles. Samy tem 32 anos e não vê a mulher e os filhos desde setembro de 2016.

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O testemunho de quem arriscou a vida para chegar à Europa

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Para conseguir chegar à Europa, Samy, como muitos milhares de pessoas, arriscou a vida.

“Chamo-me Samy. Negociei com aqueles que fazem a ligação, que passam as pessoas. Paguei 500 euros. Nos primeiros dias fomos colocados em camiões. Fizeram-nos entrar e fomos trancados. Éramos umas 50 pessoas. Fomos levados para uma pequena savana e ficamos lá escondidos. Diziam-nos que a polícia estava por ali e não podíamos atravessar. Ficámos ali durante dias. Nós não estávamos preparados, não tínhamos nada para comer, nem água para beber.

Depois fomos presos, levaram-nos para a prisão de Izmir (Turquia) e ficamos lá durante 10 dias. Era uma outra realidade. No meu país nunca dormi na prisão.

Mas continua-se a tentar… e, como sempre, voltamos a entrar em camiões. Houve mesmo militares que nos perseguiram e dispararam sobre nós. Não sei se eram balas de borracha, só ouvi o som dos tiros. Fomos detidos por eles e levaram-nos para a mesma prisão, onde fiquei mais 8 dias. No total acabei por ficar 38 dias na prisão.

No dia em que saí da prisão, nesse mesmo dia, o contrabandista ligou-me de noite e perguntou se eu queria tentar outra vez. Não tinha outra opção, tentei. Estava tanto frio que fiquei gelado, os meus pés, as mãos, tudo, e dormimos debaixo das árvores. Depois, chegaram umas pessoas que nos disseram que podíamos tentar a travessia durante o dia. Descemos até à água, eles encheram o barco insuflável, colocaram um motor e disseram-nos: vá, vão.

Não sei qual a distância que percorremos. Sei que estivemos pelo menos 1 hora e 5 minutos na água.
Havia crianças, éramos pelo menos 49 pessoas.

Com a travessia chegámos à Grécia. Depois fomos acolhidos, deram-nos roupas e sapatos, porque estávamos encharcados, deram-nos biscoitos e água.

Nós não sabíamos o quanto arriscávamos, se tivermos em conta o valor de uma vida. Não sabia que poderia viver isto. Hoje é uma experiência. Eu digo que há pessoas que vivem vidas que não são normais. Foi o que eu vivi.”

Samy passou mais de 10 meses no campo de refugiados de Moria, em Lesbos, Grécia. O seu pedido de asilo foi recentemente aceite e foi levado para um campo em Tessalônica. Agora, aguarda pelos documentos de identificação para poder deixar a Grécia. Ele não sabe nem onde nem quando poderá voltar a estar com a família.