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A imparável fuga dos Rohingya para o Bangladesh

Comissário da UE para a Ajuda Humanitária lança apelo ao governo do Myanmar durante visita à fronteira com o Bangladesh.

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A imparável fuga dos Rohingya para o Bangladesh

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São mais de três mil os refugiados da minoria rohingya que, desde quarta-feira, continuam a tentar escapar do Myanmar para o Bangladesh.

Desde finais de Agosto que 607 mil pessoas cruzaram a fronteira entre os dois países para escapar à ofensiva do exército birmanês e aos ataques de milícias extremistas budistas no estado de Rakhine.

Para trás deixam um cenário de devastação, com mais de um milhar de mortos e mais de 200 aldeias incendiadas.

“Eu estou na estrada há 22 dias durante os quais o meu pai morreu. Tive que esperar na fronteira durante três dias”, afirma um refugiado.

De visita ontem ao estado de Rakhine, a líder do Myanmar Aung San Suu Kyi prometeu pôr fim ao fluxo de refugiados e iniciar o repatriamento dos milhares de foragidos dos combates.

Uma posição defendida pelo Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária que, ao contrário da antiga Nobel da Paz, não poupa palavras para descrever a situação, durante uma visita ao Bangladesh no dia 31 de Outubro.

“Temos que persuadir o governo do Myanmar de que se trata de uma questão de direitos humanos, de direitos fundamentais. Concordo com o Secretário Geral da ONU quando afirma que a única forma de descrever o que se está a passar é falar de ‘limpeza étnica’”, afirma Christos Stylianides.

Segundo os últimos dados das organizações humanitárias presentes no terreno, serão neste momento quase 800 mil os Rohingyas refugiados no Bangladesh, entre os quais 350 mil serão crianças e 40 mil menores não acompanhados. A UNICEF alerta para um aumento dos casos de desnutrição severa entre 7% das crianças instaladas em campos de refugiados do Bangladesh.