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Clima: Europeus querem dar novo alento ao Acordo de Paris

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Clima: Europeus querem dar novo alento ao Acordo de Paris

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A comunidade internacional não está a levar à prática aquilo que prometeu no Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas, em dezembro de 2015.

A tendência atual aponta para um amento da temperatura em 3C até ao final do século, quando deveria limitar-se a menos de 2C, segundo a Organização das Nações Unidas.

A liderar o top dos dez países mais poluidores está a China, com emissões de gases com efeito de estufa que são quase o dobro das dos Estados Unidos, que ocupa o segundo lugar.

A situação poderá ficar “mais negra” se o Presidente norte-americano, Donald Trump, efetivamente abandonar o acordo, como prometeu fazer, há poucos meses.


A União Europeia promete defender o acordo, segundo Anna-Kaisa Itkonen, porta-voz do executivo comunitário para a Energia e Ação Climática.

“Na sequência dos anúncios feitos pelo presidente Trump, tem havido um certo vazio de liderança global no que se refere ao clima. A União Europeia intensificou os seus esforços, nomeadamente através de novas alianças com potências como a China e o Canadá, e de dando garantias de que vai manter um papel muito central nesta matéria”, disse à euronews.

Uma das promessas é usar fontes renováveis para obter 20% do total da energia a usar em 2020.

A cimeira da ONU sobre o tema, denominada COP 23, começa 6 de novembro, na cidade alemã de Bona, e visa encontrar instrumentos para melhorar a implementação do tratado que entrou em vigor há um ano.


Para analisar as expetativas que pairam sobre a cimeira, a correspondente da euronews em Bruxelas, Efi Koutsokosta, entrevistou Milan Elkerbout, perito em política climática do Centro de Estudos de Política Europeia.

euronews: Uma importante mudança no panorama foi o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de abandonar o acordo. Pensa que é uma grande ameaça para todo o projeto?

Milan Elkerbout: Inicialmente, quando isso foi anunciado por Trump, não era de espantar que todos pensassem que o tratado seria arruinado. Mas a resposta de quase todos os outros países tem sido a de reafirmar a importância do acordo. Mesmo nos EUA, políticos abaixo do nível federal declararam que pretendem implementar o acordo de Paris, sendo o caso do estado da Califórnia, mas também o da cidade de Nova York. São casos que podem ter muita influência sobre o nível efetivo de emissões do país.

euronews: Pensa que a União Europeia falará a uma só voz nesta conferência? Vemos que a Alemanha, a França ou a Suécia estão realmente a esforçar-se para abandonar o carvão e baixar as emissões. Mas, por exemplo, a Polónia, que tem uma indústria fortemente baseada no carvão, quer continuar a proteger essa indústria. Como poderão encontrar um compromisso que seja sustentável no futuro?

Milan Elkerbout: Os políticos tentam sempre primeiro chegar a acordo sobre as metas de redução das emissões, mas a maneira como as cidades e empresas o têm de fazer é deixado para mais tarde. É verdade que existem problemas com o carvão, que afeta a qualidade do ar, tornando-se prioritário para alguns países eliminá-lo o mais rapidamente possível. Por outro lado, se muitas pessoas trabalham em indústrias à base do uso carvão, como é o caso da Polónia, mas também da Alemanha, então talvez tentem fazê-lo mais gradualmente. Isso significa que, a nível da UE, nunca haverá realmente políticas totalmente harmonizadas em determinados setores.

euronews: O que é necessário fazer para que a União Europeia possa ter um papel de liderança neste processo? Trata-se de mais dinheiro, de dar mais tempo ou de ter objetivos mais realistas?

Milan Elkerbout: A competitividade industrial é sempre muito importante e é um objetivo claro de muitos países conseguirem salvaguardar a competitividade. Não querem políticas climáticas que causem desvantagens aos produtores europeus em relação aos produtores de outras partes do mundo que possam ter políticas climáticas menos rigorosas. É claramente importante a questão do dinheiro e foi sempre assim.