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Pequenos, mas muitos: os sismos nos Alpes franceses

Foram registados, nos últimos cinco meses, centenas de pequenos terramotos, no Vale da Maurienne.

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Pequenos, mas muitos: os sismos nos Alpes franceses

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Mas o que se passa, afinal, no Vale da Maurienne? A região, situada no departamento francês da Saboia, região de Auvergne-Rhônes-Alpes, tem sido afetada por centenas de pequenos sismos, nos últimos cinco meses.
O fenómeno é tudo menos novo, mas a verdade é que começa a preocupar as populações locais. Uma preocupação que está na origem, por exemplo de uma reunião de informação e treino, levada a cabo na presença de cientistas, na pequena localidade de La Chapelle, no início deste mês de novembro.

Em Montgellafrey, outra localidade da região, as autoridades decidiram implementar um conjunto de medidas de segurança, para que ninguém seja surpreendido por um sismo de maior magnitude, que possa causar estragos.

Até ao momento, os cientistas não conseguem explicar a origem dos pequenos sismos. Nos últimos dias, decidiram colocar, no terreno, um conjunto de captadores de sinais para recolherem dados mais exatos sobre os movimentos.
Centenas de sismos
De acordo com o Instituto de Ciências da Terra da Universidade de Grenoble -Alpes, desde julho deste ano, foram registados cerca de 400 sismos nos Alpes franceses, graças ao sistema SISMalp

Cerca de 200 sismos foram registados, no entanto, apenas no mês de outubro, embora não tenham provocado qualquer vítima ou qualquer tipo de danos materiais.


Entre os dias 1 e 27 de outubro, foram registados 262 sismos no Vale da Maurienne. Três deles passaram o nível três da escala de Richter.
Para melhor compreender o que se passa, a Euronews falou com Philippe Guéguen, Doutor em Sismologia e um dos cientistas a cargo da gestão do sistema SISMalp.
“Tem havido um aumento da atividades sísmica na zona, nos últimos quatro meses. Muitos dos sismos são mesmo sentidos pelos habitantes locais. São sismos muito concentrados, tanto no espaço como no tempo. É verdade que a atividade sísmica tem aumentado na zona desde 2015. Mas o aumento tem sido particularmente significativo nos últimos quatro meses. Dia 27 de outubro, registou-se um sismo de 3.7 na escala de Richter.”
Como se explica o fenómeno?
“Não o entendemos muito bem ainda. Estamos nos Alpes e os sismos de magnitude três não são raros nesta zona. O Vale da Maurienne é um setor onde existem várias falhas sísmicas ativas, como a falha de Belledonne, assim como as falhas diretamente relacionadas com a de Beledonne, embora menos acentuadas. São falhas secundárias, mas estão em fase de extensão. E poderá ser esse o mecanismo que dá orgiem a todos estes sismos. Um fenómeno ligado ao movimento das placas tecnónicas, portanto.”
Existem outros casos como estes nos Alpes?
“Sim, por exemplo em Barcelonnette – departamento de Alpes da Alta Provença, região Provença-Alpes-Côte-d’Azur – no Vale de Ubaye. Já observamos vários conjuntos de sismos desde o início dos anos 90. Há também o conjunto de pequenos sismos perto de Chamonix, no departamento de Alta Saboia, em Vallorcine. Houve outra tendência para estes sismos em série em 2012, também no Vale de Ubaye. No caso do Vale da Maurienne, no entanto, desde 1989 que não se registavam sismos nesta quantidade.”
Que poderá ser feito?
“Primeiro, entender a origem destes grupos de pequenos sismos. Depois, teremos de ser capazes de detetar o começo do fenómeno e qual será a provável magnitude do mesmo. E quanto tempo poderá durar. Mas ainda não chegámos a tanto. Por isso, enfrentamos algumas dificuldades. Não é porque entendemos o que se passa no Vale de Ubaye que vamos saber o que se passa no Vale da Maurienne.”
Poderia o fenómeno dar origem a avalanches?
*Não sei se o que se passa pode dar origem a avalanches. Sabemos que se produzem vibrações e as pessoas falam em ruídos semelhantes ao de explosões. Há também quem fale em ruídos que parecem disparos ou mesmo aviões supersónicos a passar. No caso dos sismos com magnitudes mais elevadas, é possível que o terreno venha a ser afetado, mais ainda é cedo para falarmos nisso. De qualquer forma, o Vale da Maurienne é propício a avalanchas.
Com Vincent Coste e António Oliveira e Silva