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Análise Africanews: As ambições de Grace Mugabe e a crise

As tensões em Harare ocorrem quando o casal presidencial dá sinais de querer perpetuar-se no poder.

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Análise Africanews: As ambições de Grace Mugabe e a crise

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A crise no Zimbabué acontece quando há sinais de que clã Mugabe tenta consolidar o poder no país da África Austral.

A mulher do presidente, Grace Mugabe, poderia pretender ocupar o lugar de vice-presidente, depois do afastamento de Emmerson Mnanagagwa, próximo das Forças Armadas, no passado dia oito de novembro.

Ainda não se sabe se o presidente zimbabueano será afastado, mas, por agora, o objetivo dos militares parece ser o de impedir que a primeira dama se torne a sua sucessora. Uma possibilidade que parecia cada vez mais plausível depois do afastamento de Mnangagwa, agora no exílio.

Grace Mugabe, de 52 anos, tem vindo a fazer esforços cada vez mais determinados para chegar ao poder.






Ignatus Annor, jornalista do canal de informação panafricano Africanews, recorda, no entanto, que Grace Mugabe não recolhe muita simpatia no partido do marido, a ZANU-PF. Isto porque chegou a criticar o partido, por alegadas responsabilidades na situação de caos político no Zimbabué.

Apesar da idade e da saúde frágil, Mugabe, agora com 93 anos, foi designado pelo partido Zanu-PF como candidato às presidenciais de 2018.

Emmerson Mnangagwa, o Crocolido

Emmerson Mnangagwa, conhecido no país como “Crocodilo”, foi um forte defensor de Robert Mugabe durante décadas. Para muitos, era o sucessor natural do presidente, no poder desde 1980.

Mnangagwa e Mugabe foram companheiros de guerrilha, durante a guerra pela emancipação da maioria negra na que era então a Rodésia e, anteriormente, Rodésia do Sul.

O companheiro do presidente era visto como um moderador entre o partido dominante no país africano, a ZANU-PF, e a hierarquia militar.

Mnangagwa acompanhou Mugabe no exílio em Moçambique nos anos 80, onde ocupou funções como assistente daquele que viria a tornar-se presidente do Zimbabué.