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Holanda aposta na inovação para travar subida das águas

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Holanda aposta na inovação para travar subida das águas

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Devido à sua baixa altitude, a Holanda está particularmente vulnerável à subida do nível do mar, uma das consequências do aquecimento global.

Nas últimas décadas, o país investiu milhares de milhões de euros num vasto sistema de diques e barragens para travar as inundações de grande escala.


Agora tenta abordagens mais inovadoras como o projeto Sand Motor, perto da cidade de Haia. Depois de estudar o fluxo do mar, foram colocadas grandes quantidades de areia que visam proteger a costa num raio de 30 km.

“As alterações climáticas são uma ameaça para a Holanda, que está 40% abaixo do nível do mar. Cada metro de subida do nível do mar é perigoso. Concluímos que, para proteger o país, não bastavam as medidas artificiais, tais como diques e outras barreiras, mas que também podíamos usar materiais naturais como a areia”, explicou, à europnews, Harold van Waveren, perito em segurança contra inundações na Direção-Geral de Obras Públicas e Gestão da Água.

Além do problema na costa, a Holanda tenta, também, encontrar novas soluções para os rios.

O Hoogwatergeul Veessen é uma estrutura de oito quilómetros que funciona como um viaduto quando as margens do rio IJssel estão secas, sendo mesmo aproveitadas para a agricultura.

Mas quando a água transborda, a estrutura passa ser uma ponte cujas comportas fazem a redistribuição do excesso de água, criando temporariamente uma ilha.

“Temos de saber lidar com a água, temos que aceitar e viver com a água. Esse é o objetivo deste projeto, que tenta adaptar o terreno por forma a dar espaço, a acomodar estas mudanças naturais inevitáveis”, referiu o arquiteto Kristian Koreman, co-fundador da empresa ZUS Architecture.


No entanto, a Holanda continua a ter uma política paradoxal na estratégia para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, que causam o aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Durante décadas, o país foi um dos maiores produtores mundiais de gás natural, visto como mais limpo do que outros combustíveis fósseis, tais como o carvão.

Mas os cientistas afirmam que o gás natural tem um forte impacto nas emissões de dióxido de carbono e de metano e prejudica a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2°C até ao final do século.