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Mugabe promete cumprir mandato

Mugabe rejeita "o processo de transição" como lhe chamam os militares do Zimbabué e promete manter-se no cargo que ocupa há 37 anos

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Robert Mugabe recusa abandonar o poder e insiste que pretende levar o mandato até ao fim. Declarações feitas um dia depois de o exército ter colocado o homem que dirige o Zimbabué há cerca de quatro décadas em prisão domiciliária e de ter assumido o controlo da capital.

Os militares garantem que em causa não está um golpe de Estado, mas um processo de transição sem derrame de sangue.

Uma residente de Harare diz que “hoje tudo parece ter voltado ao normal” adiantando que “as lojas estão abertas e que as pessoas voltaram ao trabalho.” Um comerciante acrescenta que “o negócio está mau porque não há clientes. Penso que não há dinheiro e não está a ser fácil arranjá-lo.”

O antigo ministro das Finanças do Zimbabué e líder de um dos partidos da oposição anunciou, entretanto, que está disponível para trabalhar num Governo de unidade nacional. Tendai Biti que conquistou o respeito da comunidade internacional quando ocupou o cargo entre 2009 e 2013 impõe, no entanto, uma condição: a presença do líder da oposição, Morgan Tsvangirai. “Penso que o principal desafio é voltarmos a uma ordem legítima que, na minha opinião, deve incluir uma autoridade de transição democrática. Autoridade, essa que deve definir um roteiro rumo à democracia e que passa por estabelecer as bases para as novas eleições” refere Biti, secretário-geral do MDC.

Na quarta-feira, os militares prenderam três ministros afetos às aspirações políticas da primeira-dama, Grace Mugabe que se afigurava como candidata a vice-presidente depois de o marido ter destituído o aliado do chefe do exército e veterano da luta do país pela independência.


Mugabe nasceu em 1924, naquele que era ainda conhecido como o território da Rodésia. De acordo com os analistas, o reinado do antigo professor primário que chegou à presidência do país na década de 80 pode ter os dias contados.