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Easyjet revela resultados anuais e planos para a Madeira

Companhia aérea britânica não aceita substituir o Estado português no apoio à mobilidade dos madeirenses

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Easyjet revela resultados anuais e planos para a Madeira

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O lucro bruto da companhia aérea easyJet, até ao mês de setembro, foi de 344 milhões de euros representando uma queda de 30,2 por cento, em relação ao mesmo período do ano passado, informou a empresa.

Num comunicado enviado hoje à Bolsa de Londres, a easyJet assinala que o lucro antes da aplicação dos impostos foi — no período entre setembro de 2016 e setembro de 2017 — de 408 milhões de libras (456 milhões de euros), o que corresponde a uma descida de 17,3 por cento em relação ao ano anterior.

No total, o valor correspondente às vendas foi de 5.652 milhões de euros o que indica uma subida de 8,1 por cento em relação a igual período do ano passado.

De acordo com a empresa, a easyJet registou um “número recorde” de passageiros, aumentando 9,7 por cento em comparação com o período anterior.

O transporte de carga foi de 92,6 por cento sendo que no ano passado foi de 91,6 por cento.

No mesmo documento, a easyJet sublinha que tem como objetivo um controlo rigoroso dos custos.

Sobre as perspetivas de futuro, a companhia assinala que vai manter a estratégia de investimento no sentido de conseguir um aumento dos lucros e acredita que vai aumentar a capacidade em 06 por cento, no ano fiscal de 2018.

Carloyn McCall, da administração da empresa, disse que se verificaram “bons rendimentos” apesar do ano estar a ser “difícil” para a indústria da aviação.

A mesma responsável diz também que acredita que a easyJet vai conseguir uma posição de liderança nos principais aeroportos da Europa graças a “um bom serviço de atendimento ao cliente” numa altura em que algumas empresas aéreas enfrentam dificuldades.

“O modelo easyJet é resistente e sustentável”, frisou McCall.

A EasyJet assegurou ainda que “tudo fará para não ser empurrada” do aeroporto do Funchal, na região autónoma da Madeira, recusando-se, contudo, a “substituir” o Estado no que toca ao subsídio de mobilidade.

“Nós iremos fazer tudo aquilo que for possível para não sermos empurrados para fora dessa rota que, para nós, é de grande importância. Nós temos muito trabalho feito no [que toca ao] impacto para os residentes, para todos aqueles que querem visitar a Madeira e para a economia da Madeira”, disse à agência Lusa o responsável da easyJet para Portugal, José Lopes.

Numa altura em que se fala na alteração do subsídio de mobilidade, o responsável notou, contudo, que “as companhias não podem substituir o Estado no financiamento da insularidade”.

“Isso é um papel social que cabe ao Estado e é uma relação que tem de ser direta entre o Estado e o contribuinte, neste caso, residente na Madeira”, acrescentou.

Atualmente existe um subsídio de mobilidade que estabelece o valor das passagens aéreas entre a Madeira e o continente em 86 euros para residentes e 65 euros para estudantes.

Contudo, como as companhias praticam preços muito superiores, o Governo Regional devolve o excedente ao passageiro, até um teto máximo de 400 euros por viagem.

A companhia easyJet ameaçou, no entanto, abandonar a rota, caso o subsídio de mobilidade seja alterado, conforme defende o Governo Regional, de modo a que o passageiro pague apenas os 86 ou 65 euros e a transportadora receba a diferença diretamente do Estado.

O modelo do subsídio estipula também o reembolso a 60 dias se a deslocação for paga com cartão de crédito, outro dos critérios que têm sido criticados e que a região quer ver alterados.

Vincando que “os residentes devem ser protegidos de fatores como a sazonalidade”, José Lopes disse esperar que “a transparência no processo” continue.

“Seria muito mau para as pessoas e para a economia da Madeira” se a easyJet saísse da região, alertou.

Na segunda-feira, a empresa esteve reunida com o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, num encontro dominado pela questão do subsídio de mobilidade na Madeira.

“Apresentámos ao senhor ministro essa nossa postura e não só as nossas preocupações perante estas propostas legislativas que estão em cima da mesa como a nossa visão mais abrangente de quem opera esta rota há 10 anos, de quem dia a dia ouve os passageiros a explicarem-nos quais as dificuldades com que se deparam com um processo que, neste momento, é demasiado lento e demasiado burocrático”, afirmou José Lopes à Lusa.

O responsável admitiu, contudo, que este “é um processo que não é simples, que tem componente associada ao Orçamento do Estado e que terá de ser analisado pelo Governo”, adiantando que espera a melhor solução.

Texto: Lusa
Edição: Francisco Marques