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Costa-marfinense repatriado acusa: "Estão a vender africanos na Líbia"

Migrantes confirmam leilões de escravos na Líbia por 60 a 120 euros cada ser humano; António Guterres diz-se "horrorizado" e exige "investigação sem demora."

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Costa-marfinense repatriado acusa: "Estão a vender africanos na Líbia"

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De regresso a Abidjan, mais de 150 migrantes da Costa do Marfim confirmaram a existência de leilões de escravos na Líbia.

A prática foi denunciada sexta-feira pela estação de televisão americana CNN através de um vídeo mostrando o que parece ser um leilão de migrantes, realizado em agosto e no qual seres humanos terão sido vendidos por cerca de 1200 dinares líbios, o equivalente a 700 euros.


Um dos migrantes marfinenses repatriados na segunda-feira, Diaby Baba, confirmou: “Estão a vender africanos. Eles vendem pessoas na Líbia.”

Diaby Baba contou que “mesmo os adolescentes líbios de 15 anos andam nos carros armados, raptam as pessoas e vendem-nas por 200 ou 100 dinares (entre 120 e 60 euros). Depois, os outros também te revendem”. “Essa é a verdade”, garantiu o repatriado marfinense.

Em Nova Iorque, António Guterres descreveu os supostos leilões de escravos como “um dos abusos mais flagrantes dos direitos humanos e um provável crime contra a humanidade”. O secretário-geral da ONU exigiu uma investigação sem demora.

“Estou horrorizado pelas notícias e os vídeos mostrando migrantes africanos na Líbia sendo alegadamente vendidos como escravos. Abomino estes atos terríveis e apelo a todas as autoridades competentes para investigarem estas atividades sem demora e a apresentarem os criminosos à justiça”, começou por dizer Guterres numa declaração exclusiva sobre o tema.


O responsável adiantou também ter pedido “aos agentes relevantes nas Nações Unidas para darem seguimento a este assunto”. “A escravatura não tem espaço no nosso mundo”, sublinhou Guterres, apelando a todos os países para “adotarem e aplicarem a Convenção da ONU contra o Crime Organizado Transnacional e o respetivo protocolo sobre o tráfico de pessoas.”

“Apelo à comunidade internacional para se unir no combate a este flagelo. Isto também nos lembra da necessidade de resolver as vagas de migração de forma tolerante e humana através da melhoria da cooperação na gestão das respetivas causas”, defendeu o secretário-geral da ONU, referindo-se a uma melhoria das leis da migração, ao combate aos “facilitadores” e à proteção dos direitos das vítimas destes traficantes.

Após a revelação pela CNN do vídeo de um aparente leilão, em agosto, onde migrantes terão sido vendidos por setecentos euros, foram várias as manifestações organizadas durante o fim de semana contra a escravatura na Líbia. Milhares de pessoas fizeram-se ouvir junto às embaixadas líbias em Paris, Bamaco ou Conacri.

Nos recintos desportivos, também houve manifestações contra a venda de seres humanos, por exemplo, pelo colega de Gonçalo Guedes no Valência, o francês Geoffrey Kondogbia.


O também futebolista francês Paul Pogba, do Manchester United, manifestou-se pelo Instagram. “Que Alá possa estar ao vosso lado e esta crueldade veja um fim”, escreveu o pupilo de José Mourinho, dirigindo-se às vítimas de escravatura na Líbia.

Comment peut on rester indifférents devant tant de haine, l’esclavage, la traite humaine est la sous nos yeux chez nous en Afrique en Libye !!!! Partagez sur vos réseaux, manifestez jusqu’à ce que ce cauchemars cesse!! J’invite les autorités libyennes à stopper ces actes d’une barbarie qui laisse sans voix et censés être révolus!!! Honte à ceux qui traitent ainsi leur frères humains!!!!!!! Shame on those who see this and decide to stay silent, no words will be strong enough to describe how I feel about such slavery!!! Migrants are not your slaves, freedom for those who are leaving their countries for a better place to live and end up in these horrific people This is a crime against humanity and as human beings we can’t stay silent and not say or do anything

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