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Robert Mugabe: O fim de uma era

Robert Mugabe, o homem que geriu os destinos do Zimbabué quase quarenta anos, sai de cena mas deixa marcas profundas no país.

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Robert Mugabe: O fim de uma era

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Aos 93 anos Robert Mogabe não é, de todo, um homem de consensos. Demonstração disso é o facto de ter sido nomeado “embaixador da boa vontade” pela Organização Mundial de Saúde. Uma escolha, altamente contestada e que acabou com a OMS a voltar atrás. Entre os críticos estava a oposição do Zimbabué, que falava do colapso do sistema de saúde do país sob o regime autoritário do chefe de Estado.

Robert Mugabe chegou ao poder em 1980, começou como primeiro-ministro e, desde 1987, como Presidente, com poderes executivos. Assumiu os destinos da antiga Rodésia depois de uma grave guerra civil que fez, pelo menos, 30 mil mortos. Aquando da independência, em abril de 1980, e mudança de nome do país Mugabe é visto como herói. Trata-se de um veterano de guerra que foi prisioneiro político.

O fim da guerra não significou fim das hostilidades entre os dois movimentos nacionalistas negros, Zanu e Zapu. Enquanto Mugabe centralizava o poder e ganhava cada vez mais autoridade. Põe fim ao sistema parlamentar e instaura um de pendor presidencialista. As suas reeleições são sempre envoltas em polémica e acusações de fraude.

Um dos desafios ao seu regime ditatorial foi a derrota no referendo de 2000, que permitiria uma revisão constitucional. Isso não o impede de fazer a sua Reforma Agrária, que passou por retirar terras a agricultores brancos e permitir que os veteranos de guerra as ocupassem, o que fez com que a produção agrícola caísse para valores muito baixos e aumentasse a pobreza no país. A crise do petróleo também não ajudou num país onde se estima que haja um grande número de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza

Mugabe inicia uma guerra, mais ativa, contra a oposição. O seu principal adversário, Morgan Tsvangirai, é detido várias vezes, em 2007. Um ano mais tarde este acaba por desistir de ir à segunda volta das presidenciais, que Mugabe vence.

Em 2013, Mugabe revê a Constituição que limita o exercício do poder a dois mandatos consecutivos, mas a reforma não tem efeitos retroativos. Em julho do mesmo ano é novamente reeleito, enquanto o país se afunda, ainda mais, na crise económica, presente há quinze anos. No meio de hiperinflação, desemprego em massa, colapso dos serviços públicos, falta de poder de compra, é criada uma nova moeda para diminuir a fuga de dólares americanos do país, mas sem grande efeito.