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Agricultura em foco na cimeira UE-África

África conta com 60% das terras aráveis a nível mundial e os pequenos agricultores representam 60% dos postos de trabalho.

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Agricultura em foco na cimeira UE-África

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O mercado Mabru em Bruxelas é o local de eleição para supermercados e restaurantes de todo o país que aqui vêm para se abastecerem de fruta e legumes provenientes de todo o mundo.

Os frutos exóticos, por exemplo, são originários da África ocidental. A Costa do Marfim é o maior produtor de bananas do continente, um produto responsável por 50 mil postos de trabalho, incluindo 15 mil empregos diretos. Segundo o responsável por este mercado, Michel Lefever, em termos de clientes as perspetivas são positivas.

“As pessoas viajam mais para o estrangeiro em férias e isso inclui África e não só. Eles ficam a conhecer os produtos nesses países e, uma vez de regresso, querem comprar esses produtos. Isso estimula a importação”, afirma o responsável.

Isto são boas notícias para África que tem na União Europeia o seu mercado principal para produtos agrícolas, um mercado com um valor superior a €13.9 mil milhões de euros por ano. A agricultura é, de resto, um dos pilares principais da parceria UE-África em foco na cimeira de 29 e 30 de novembro em Abidjan, na Costa do Marfim.

África conta com 60% das terras aráveis a nível mundial e os pequenos agricultores representam 60% dos postos de trabalho. A agricultura representa ainda cerca de 25% do PIB africano.

No verão passado, Joseph Owona Kono abriu um escritório da Afruibana em Bruxelas a fim de promover a exportação de bananas e mangas e espera que a parceria UE-África contribua para o empreendedorismo.

“É preciso deixar para trás o conceito do trabalhador agrícola que trabalha sozinho nas suas terras para passar à ideia de pequenas empresas e, assim, fixar as populações nas zonas rurais. Uma vez que estão ocupadas, deixam de se mudar para as grandes cidades para mais tarde se lançarem pela travessia do deserto, depois do mediterrâneo para enfim chegarem à Europa”, adianta Joseph Owona Kono, presidente da empresa Afruibana.

A agricultura é vista como um dos factores principais para a criação de emprego em África. Os números sugerem que terão que ser criados doze milhões de empregos, todos os anos, devido ao impacto do boom demográfico previsto para África até ao ano 2050. O principal tema do encontro é “Investir na juventude para um futuro sustentável”. Investimentos em energia, no setor digital e adaptação às mudanças climáticas são as outras áreas-chave nas quais a União Europeia pretende investir através de 4 mil milhões de euros em subsídios antevendo cerca de 10 vezes mais em fundos privados.

Mais informação:

http://www.mabru.be/en/